Difusão de projetos e pesquisas sobre promoção da cidadania e enfrentamento da violência LGBTI+ no Brasil

Publicações em Destaque

2015

Artigo

Políticas Públicas

Rodrigo Broilo
Jacques Akerman

A história das lutas por políticas públicas para a população LGBT teve início na década de 1980, com o advento da epidemia mundial de HIV/AIDS. Ao longo das décadas subsequentes as políticas públicas, em especial de saúde, foram tomando rumos que intencionavam pensar na integralidade dos sujeitos LGBT. Porém, o que se percebe é que a maior parte dessas políticas está embasada na construção de identidades sexuais, marcadas pelos binarismos homem/mulher, masculino/feminino, heterossexual/homossexual, sendo os primeiros termos ainda hegemônicos. A análise aqui proposta mostra como essas identidades acabam por criar novas segregações, promover a manutenção da heteronormatividade e a homofobia, em suas variantes. Através de críticas pós-identitárias, originadas da teoria queer, este artigo convida para uma desconstrução crítica da visão dos indivíduos como seres acabados em termos de sexualidade, gênero, práticas sexuais e desejos.

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2017

Artigo 

Cidadania

Gianna Schreiber Popadiuk
Daniel Canavese Oliveira
Marcos Claudio Signorelli

Este estudo objetivou analisar como o Ministério da Saúde (MS) vem implementando o Processo Transexualizador (PrTr) no SUS, por meio da pesquisa de documentos oficiais de domínio público, sistematização de dados quantitativos e análise das memórias do Comitê Técnico de Saúde LGBT (CTSLGBT) do MS. A pesquisa exploratória combinou métodos quanti e qualitativos de estudo, tomando como base metodológica a proposta normativa de pesquisa de avaliação de programas e sistemas de saúde. O estudo resultou no cômputo total das cirurgias de redesignação sexual realizadas no SUS (2008-2016), que evidenciam nulidade de óbitos e desigualdades regionais de acesso; e no acompanhamento das ações de implementação da Política Nacional de Saúde Integral Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (PNSILGBT) por comitê específico designado pelo MS. Mesmo com avanços consideráveis, os desafios persistem, sendo o mais ameaçador, atualmente, a possibilidade de retrocesso imposta por setores conservadores do executivo e legislativo. Portanto, a visibilidade das ações já conquistadas é um passo decisivo para manutenção e potencialização do PrTr no SUS.


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2017

Artigo

Cidadania

Este trabalho visa a compreender uma política pública de equidade em saúde relativa às sexualidades que se desviam da heterossexualidade compulsória, em um contexto de crise democrática. Para isso, toma-se a teoria queer para analisar, à luz de categorias como poder, resistência e transgressão, o que está por traz do contexto discursivo da política de atenção à saúde da população de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais (LGBT), produzindo uma tensão entre norma, direito e participação social. É percebido que, em uma perspectiva queer, a instabilidade das identidades e a compreensão das redes de poder no interior das práticas de saúde podem fornecer condições de resistências mesmo em situações de crise do Estado democrático.

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2017

Artigo 

Cidadania

Cleyton Feitosa Pereira

O presente artigo tem por objetivo refletir sobre as barreiras que impedem ou dificultam o desenvolvimento da ambição política entre a população de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT) no Brasil para a disputa de cargos políticos no Estado. Para tanto, desenvolvo, por meio de uma pesquisa bibliográfica, um conjunto de reflexões sistematizados em três seções: a primeira discute o conceito de representação política, a segunda explora trabalhos que explicam os fatores para a sub-representação política de mulheres como indícios para a exclusão política de LGBT e a terceira e última seção analisa as barreiras que obstaculizam o desenvolvimento da ambição política e promovem a ausência do segmento LGBT nas esferas representativas brasileiras.

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2016

Artigo

Políticas Públicas

Jose Inacio Jardim Motta

Este trabalho visa a compreender uma política pública de equidade em saúde relativa às sexualidades que se desviam da heterossexualidade compulsória, em um contexto de crise democrática. Para isso, toma-se a teoria queer para analisar, à luz de categorias como poder, resistência e transgressão, o que está por traz do contexto discursivo da política de atenção à saúde da população de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais (LGBT), produzindo uma tensão entre norma, direito e participação social. É percebido que, em uma perspectiva queer, a instabilidade das identidades e a compreensão das redes de poder no interior das práticas de saúde podem fornecer condições de resistências mesmo em situações de crise do Estado democrático.

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2014

Artigo 

Cidadania

Juliana Vieira Sampaio
Idilva Maria Pires Germano

Na década de 1980, o movimento LGBT no Brasil iniciou uma parceria política com o Estado a fim de enfrentar o surto da AIDS. O sucesso dessas ações contribuiu para novas pautas políticas visando melhor assistência à população LGBT. Tais políticas nos últimos anos ampliaram-se, porém adaptando-se ao modo de representação política vigente, uma política identitária essencialista. O objetivo deste trabalho é discutir como o essencialismo que fundamenta a sexopolítica é negociado nas políticas públicas LGBT e como uma “identidade estratégica” pode afetar os modos de viver daqueles que não se encaixam no padrão heteronormativo. Numa perspectiva discursiva crítica, cinco documentos de políticas públicas foram examinados, com o apoio de quadro conceitual foucaultiano e da Teoria Queer. Concluímos que uma política das multidões queer sinaliza formas de ação ainda mais radicais e potentes.

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2015

Artigo

Políticas Públicas

Cláudia Pereira Vianna

Este artigo explora a relação entre Estado e movimentos sociais na produção de políticas públicas de educação voltadas para o gênero e para a diversidade sexual. Esta reflexão toma como fontes principais duas investigações mais recentes voltadas para a compreensão da introdução do gênero e da diversidade sexual nas políticas públicas de educação no Brasil, no governo de Luiz Inácio Lula da Silva: uma tese de livre-docência (VIANNA, 2011) e outro trabalho que verificou como as políticas voltadas para o currículo foram compreendidas, apropriadas e implementadas por professoras e professores de escolas públicas do estado de São Paulo (VIANNA, 2012). A intenção deste artigo foi olhar a produção dessas políticas a partir das tensões presentes na interlocução do governo Lula com demandas sociais por diminuição da desigualdade e construção de direitos sociais advindas do movimento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Transgêneros). Ao discutir ganhos, perdas e desafios futuros, o texto destaca as contradições presentes no processo de interlocução entre o governo e o movimento LGBT. Quando o governo introduz demandas de gênero e diversidade sexual na educação, parece querer valorizar o tema sem considerar as relações de poder que determinam os parâmetros tradicionais que sustentam as relações de gênero e as identidades docentes no cotidiano escolar.

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2018

Artigo 

Políticas Públicas

Henrique Araujo Aragusuku
Moisés Alessandro de Souza Lopes

Este artigo tem como objetivo apresentar uma análise descritiva das políticas públicas destinadas para as populações LGBT no Estado do Mato Grosso, do ano de 2007 – quando tivemos a criação do Centro de Referência LGBT, primeira política destinada a esse grupo social – aos tempos atuais, em um momento de avanço do conservadorismo social e de retrocessos nas agendas governamentais. Tal análise foi realizada a partir de um amplo levantamento bibliográfico e documental, sistematizando produções acadêmicas de referência, e levantando dados de fontes primárias, sobretudo documentos governamentais e notícias veiculadas em portais virtuais. Buscamos também trazer um panorama geral do cenário político-social de Mato Grosso, relacionando-o com a atuação dos movimentos LGBT. Damos destaque para seis pontos de análise mais detalhada: (1) “Centro de Referência LGBT”, (2) “políticas de educação”, (3) “políticas de segurança pública”, (4) “políticas de saúde”, (5) “conferências e conselhos LGBT”, e (6) “poder legislativo”.

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2019

Artigo

Políticas Públicas

Cleyton Feitosa Pereira

O presente trabalho visa apresentar os resultados de uma pesquisa conduzida no Centro Estadual de Combate à Homofobia de Pernambuco. Através de entrevistas realizadas com membros e ex-membros do órgão, investigo como ele atua para minimizar a violência contra a população LGBT. Com base neste objetivo, analisei o perfil dos profissionais do equipamento, levantei informações a respeito dos serviços ofertados e verifiquei os avanços e os desafios daquela política pública. Parte significativa desses profissionais era de egressos do Movimento LGBT que realizavam atendimento interdisciplinar e atividades formativas e destacaram, como avanços, a aproximação com outros setores públicos, a visibilidade da temática LGBT e o número de atendimentos contabilizados e, como desafios, o contexto LGBTfóbico do território pernambucano, a LGBTfobia institucional e a estrutura insuficiente do Centro.

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2017

Artigo 

Cidadania

Émerson Santos

Este texto busca refletir sobre as demandas por “cidadania LGBT” (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) no Brasil durante a gestão federal do Partido dos Trabalhadores (PT). Além disso, o mesmo propõe a ampliação dessa compreensão de cidadania agenciada na arena pública pelo ativismo LGBT a partir do que denominamos “crítica lesbofálica” à concepção hegemônica de cidadania. Exercer nossa crítica lesbofálica é desterritorializar a cena nos jogos de poder que incidem sobre esfera pública. A memória do governo Lula enquanto “pioneiro” na propositura de ações à população LGBT se contrasta ao período da gestão Dilma Rousseff na presidência da República. Nesse contexto, observou-se que o termo “tripé da cidadania LGBT” circulou com centralidade nas negociações entre a militância e o poder público. Esse tripé consistiria na existência de um plano de política pública LGBT, um órgão para gestão da política LGBT e um conselho para o monitoramento das ações dessa política. A relação entre Estado e sociedade civil, no que tange as demandas LGBT nesse período recortado, vão tergiversar entre ambivalência do “desejo” da existência desse tripé, ainda que nos moldes “para inglês ver”, e o impasse nas negociações com grupos religiosos, também integrantes da base de conciliação do governo PT, frente as pautas prioritárias do segmento. Evidencia-se que os discursos do governo e do ativismo se alteram circunstancialmente em relação a essa dinâmica ambígua e contraditória, ora na acusação e ora na defesa do governo (pelo ativismo) e das pautas do movimento (pela gestão PT).

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2017

Artigo

Políticas Públicas

Gustavo Gomes da Costa Santos
Cleyton Feitosa Pereira

Este artigo apresenta os resultados de uma pesquisa sobre a gestão de políticas públicas de promoção da cidadania de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT) no estado de Pernambuco. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com gestores estaduais e municipais da política LGBT. Nossos dados apontam que esses gestores são, em sua maioria, homens autoidentificados como gays e que possuem uma trajetória pregressa de ativismo no Movimento LGBT. Suas atividades na gestão local e estadual centraram-se em campanhas de sensibilização e formação para servidores e a população em geral. Dentre os principais desafios apontados estão a fraqueza organizacional da política LGBT, a ausência de recursos financeiros e humanos, a homofobia institucional, o lugar “marginal” ocupado na estrutura da administração pública, além das tensões com o Movimento LGBT.

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2017

Artigo 

Cidadania

Bruna Andrade Irineu

Este texto busca refletir sobre as demandas por “cidadania LGBT” (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) no Brasil durante a gestão federal do Partido dos Trabalhadores (PT). Além disso, o mesmo propõe a ampliação dessa compreensão de cidadania agenciada na arena pública pelo ativismo LGBT a partir do que denominamos “crítica lesbofálica” à concepção hegemônica de cidadania. Exercer nossa crítica lesbofálica é desterritorializar a cena nos jogos de poder que incidem sobre esfera pública. A memória do governo Lula enquanto “pioneiro” na propositura de ações à população LGBT se contrasta ao período da gestão Dilma Rousseff na presidência da República. Nesse contexto, observou-se que o termo “tripé da cidadania LGBT” circulou com centralidade nas negociações entre a militância e o poder público. Esse tripé consistiria na existência de um plano de política pública LGBT, um órgão para gestão da política LGBT e um conselho para o monitoramento das ações dessa política. A relação entre Estado e sociedade civil, no que tange as demandas LGBT nesse período recortado, vão tergiversar entre ambivalência do “desejo” da existência desse tripé, ainda que nos moldes “para inglês ver”, e o impasse nas negociações com grupos religiosos, também integrantes da base de conciliação do governo PT, frente as pautas prioritárias do segmento. Evidencia-se que os discursos do governo e do ativismo se alteram circunstancialmente em relação a essa dinâmica ambígua e contraditória, ora na acusação e ora na defesa do governo (pelo ativismo) e das pautas do movimento (pela gestão PT).

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2016

Dissertação

Cidadania

Diego de Souza Cotta

Esta dissertação busca compreender vitórias, dificuldades e questões a serem superadas para que a população LGBT fluminense consiga ter acesso aos direitos civis que lhe são negados, ou pelo menos, obstaculizados – apesar da existência de um programa estadual de combate à homofobia e promoção da cidadania LGBT no Rio de Janeiro. Em outras palavras, o estudo pretende identificar as conquistas e os impasses desta população em relação às políticas públicas instauradas pelo Estado; e compreender os desafios contemporâneos de seu cotidiano para o pleno exercício da cidadania LGBT. O trabalho também esmiúça a trajetória e os processos desenvolvidos entre movimento social e governo para a formulação de uma agenda de reivindicações de ações afirmativas, a fim de construir políticas públicas que assegurem a cidadania da população LGBT no Rio de Janeiro. Para isso, examina a construção de sujeitos de direitos a partir do debate, da construção coletiva e das performances e estratégias midiáticas que visam à implantação de políticas públicas para LGBT no RJ, que devem ser entendidas como conquistas do movimento social. O modelo metodológico seguido foi de entrevistas individuais semiestruturadas com atores que participaram da construção coletiva das políticas públicas do Rio Sem Homofobia, além de coleta e análise dos documentos e relatórios deste programa estadual.

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2017

Artigo

Políticas Públicas

Matheus Mazzilli Pereira

Ao longo dos governos federais do Partido dos Trabalhadores (PT), o movimento brasileiro de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT) obteve importantes conquistas em termos do desenvolvimento de programas de políticas públicas de combate à homofobia e da abertura de espaços de participação para ativistas do movimento. Tais conquistas, no entanto, foram pouco institucionalizadas e, assim, sua trajetória foi pouco regular. Tendo em vista esse cenário, esse presente trabalho busca mapear a trajetória de tais conquistas entre os anos de 2003 e 2014. Para isso, foram utilizados dados sobre iniciativas do Governo Federal exclusivamente voltadas a pessoas LGBT e sobre transferências de recursos federais para organizações desse movimento e para atores diversos por meio de ações governamentais exclusivamente voltadas a essas pessoas. Estes dados indicam uma trajetória de queda nessas iniciativas e investimentos especialmente a partir do primeiro governo Dilma Rousseff (PT).

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2014

Artigo

Segurança Pública

Luiz Mello
Rezende Bruno de Avelar
Walderes Brito

Neste artigo, apresenta-se uma análise crítica de ações, planos e programas governamentais, no campo da segurança pública, voltados para a população LGBT, no Brasil. A despeito da identificação de muitas propostas e de algumas iniciativas em curso, parte delas elaborada em espaços de discussão pública envolvendo governo e sociedade civil, o balanço final aponta absoluto desequilíbrio entre a violência homofóbica e a atuação do governo brasileiro para mudar este quadro. Tal constatação auxilia na compreensão da desconfiança de pessoas LGBT em relação ao Estado e a suas/seus representantes, em vários âmbitos da vida social em que direitos civis lhes são negados, mas especialmente na esfera da segurança pública, em que o nexo entre questionamento da norma heterossexual e violência ainda é recorrente.

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2012

Artigo

Políticas Públicas

Luiz Mello
Walderes Brito
Daniela Maroja

Este artigo problematiza o tratamento dos direitos sexuais no Brasil, por meio da análise crítica do processo de formulação e implementação de políticas públicas de combate à homofobia e de promoção da cidadania e dos direitos humanos da população LGBT. A despeito dos avanços nas iniciativas governamentais, especialmente no âmbito do Poder Executivo Federal, o que se observa é que nunca se teve tanto e o que há é praticamente nada. Essa talvez seja uma boa fórmula geral para mostrar o paradoxo da situação dos direitos da população LGBT no Brasil hoje.

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2012

Artigo

Cidadania

Luiz Mello
Camilo Braz
Fátima Regina Almeida de Freitas
Rezende Bruno de Avelar

Neste texto são apresentadas reflexões acerca da história recente do movimento LGBT no Brasil, com ênfase em seus principais desafios e conquistas. O que se destaca, neste contexto, é o caráter contraditório dos debates públicos acerca da cidadania de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, haja vista que sua humanidade não parece consensualmente reconhecida pelo conjunto da sociedade e que os discursos de grupos religiosos fundamentalistas tendem a questionar sua legitimidade como sujeitos de direitos a partir de um posicionamento político que coloca em xeque a laicidade do Estado. Também se reflete sobre o lugar dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário num cenário de incertezas jurídicas e morais, ressaltando-se a importância da construção de uma cultura política que reconheça a livre expressão da orientação sexual e das performances de gênero, para além dos parâmetros e valores da norma heterocêntrica.

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2012

Artigo

Políticas Públicas

Luiz Mello
Rezende Bruno de Avelar
Daniela Maroja

Este artigo tem como objetivo refletir sobre a efetividade dos planos, programas e conferências produzidos e realizados pelo governo federal no processo de construção de políticas públicas para a população LGBT no Brasil. O texto privilegia quatro documentos que tratam da promoção dos direitos humanos e cidadania dessa população: o “Programa Brasil Sem Homofobia”, os “Anais da I Conferência Nacional LGBT”, o “Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos LGBT” e o “Programa Nacional de Direitos Humanos 3”. Faz uma análise crítica dessas propostas, a partir de um conjunto de entrevistas realizadas com gestoras/es, nas instâncias federal, estadual e municipal, e representantes da sociedade civil.

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2011

Artigo

Saúde

Luiz Mello
Marcelo Perilo
Camilo Albuquerque de Braz
Cláudio Pedrosa

Neste artigo são analisadas as políticas públicas de saúde voltadas à população LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) no Brasil, a partir de entrevistas com gestoras governamentais e com integrantes da sociedade civil organizada, além da análise crítica de planos, programas e outros documentos de referência. Destacamos ações no âmbito do Poder Executivo Federal, concebidas e executadas por parcerias intragovernamentais e com a sociedade civil, tendo LGBT como público-alvo. Identificamos, por fim, que tais ações, quando comparadas às de outras áreas, caracterizam-se como mais consolidadas, transversalizadas, intersetorializadas e pioneiras, embora ainda não plenamente estruturadas segundo os princípios de universalidade, integralidade e equidade.

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2026

Guia

Planejamento

GOVE

A publicação constitui um material técnico elaborado pela Gove com o objetivo de orientar gestores públicos municipais, especialmente das Secretarias de Finanças/Fazenda, na elaboração da Lei Orçamentária Anual (LOA) para o exercício de 2027. O documento contextualiza a LOA como parte da tríade de instrumentos do sistema de planejamento e orçamento público brasileiro, ao lado do Plano Plurianual (PPA) e da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), conforme instituído pela Constituição de 1988 e regulamentado pela Lei de Responsabilidade Fiscal. São apresentados os conceitos fundamentais sobre a LOA, sua importância para a estimação de receitas e fixação de despesas, o papel estratégico da Secretaria de Finanças na sua elaboração e uma série de orientações práticas para qualificar o processo de planejamento orçamentário municipal. Conclui-se que o material se configura como um guia de apoio à gestão pública, contribuindo para o aprimoramento da elaboração da LOA e, consequentemente, para a melhoria da gestão das finanças municipais.

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2017

Guia

Planejamento

Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC)

A publicação sistematiza a metodologia “Orçamento & Direitos”, desenvolvida pelo INESC – Instituto de Estudos Socioeconômicos, com o objetivo de analisar o orçamento público a partir da lente dos direitos humanos. O documento parte da premissa de que o orçamento não é um instrumento meramente técnico, mas uma peça política que expressa escolhas e correlações de forças, podendo aprofundar ou combater desigualdades. A metodologia está estruturada em cinco pilares: (I) Financiamento do Estado com Justiça Fiscal; (II) Uso Máximo de Recursos Disponíveis para a Realização de Direitos; (III) Realização Progressiva dos Direitos; (IV) Orçamento e Não Discriminação; e (V) Participação Popular. O texto aborda os fundamentos teóricos e políticos da análise, incluindo a conceituação de direitos humanos, o papel do Estado na sua garantia, o ciclo orçamentário brasileiro e a importância da educação popular e da incidência política. Conclui-se que a obra constitui um instrumento de resistência e de formação política, voltado ao fortalecimento da sociedade civil no debate sobre a aplicação dos recursos públicos e à superação de modelos não democráticos de gestão.

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2025

Relatório

Planejamento

Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC)
Alessandra Cardoso
Carmela Zigoni
Carolina Alves
Cássio Cardoso Carvalho, Cleo Manhas
Teresa Ruas
Thallita de Oliveira
Nathalie Beghin

A publicação constitui o relatório “Orçamento e Direitos: Balanço da Execução de Políticas Públicas”, elaborado pelo INESC – Instituto de Estudos Socioeconômicos, com o objetivo de analisar a execução orçamentária federal de 2025 e avaliar em que medida os recursos públicos contribuíram para a garantia de direitos humanos ou para sua violação. O documento adota uma metodologia própria baseada em cinco pilares: financiamento do Estado com justiça social, mobilização do máximo de recursos disponíveis, realização progressiva dos direitos humanos, não discriminação e promoção da igualdade — com atenção especial a mulheres, população LGBTQIAP+, negros, povos e comunidades tradicionais e povos indígenas — e participação social. Os dados orçamentários foram extraídos do Siga Brasil, sistema do Senado Federal. O relatório está estruturado em seções que abrangem o panorama econômico, educação, saúde, quilombolas, igualdade racial, entre outros temas, e apresenta, em cada seção, o balanço dos gastos federais e as perspectivas para o ano seguinte. Conclui-se que o documento constitui um instrumento fundamental de planejamento e controle social, ao oferecer uma análise crítica da execução orçamentária e subsidiar a atuação da sociedade civil na defesa e promoção dos direitos humanos.

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2009

Documento oficial

Planejamento

Governo do Estado do Rio de Janeiro

A publicação consiste no Decreto nº 41.798, de 02 de abril de 2009, que cria o Conselho dos Direitos da População de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais do Estado do Rio de Janeiro (Conselho LGBT-RJ). O documento tem como objetivo instituir um órgão colegiado de caráter deliberativo, vinculado à Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, para elaborar, acompanhar, monitorar, fiscalizar e avaliar a execução de políticas públicas voltadas à população LGBT, assegurando o pleno exercício de sua cidadania. O Decreto foi editado com base nas resoluções da I Conferência Estadual de Políticas Públicas para GLBT do Rio de Janeiro e no trabalho da Câmara Técnica para Elaboração do Programa Rio Sem Homofobia. Conclui-se que o documento constitui um instrumento normativo e de planejamento institucional, ao estabelecer as bases para a participação social e a gestão de políticas públicas de promoção da igualdade e de enfrentamento à discriminação por orientação sexual e identidade de gênero no estado.

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2010

Documento oficial

Planejamento

Secretária de Estado Benedita de Souza da Silva Sampaio
Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República

A publicação consiste na Resolução SEASDH nº 232, de 22 de março de 2010, que aprova o Regimento Interno do Conselho de Direitos da População LGBT do Estado do Rio de Janeiro. O documento tem como objetivo instituir as normas de organização e funcionamento do Conselho, órgão deliberativo vinculado à Secretaria de Estado da Assistência Social e Direitos Humanos, criado pelo Decreto Estadual nº 41.798/2009. O Regimento define a natureza e finalidade do Conselho, suas competências (como desenvolver ação integrada com secretarias e órgãos públicos para superar estigmatizações, discriminações e desigualdades), sua composição (paritária entre poder público e sociedade civil), o mandato dos conselheiros, as atribuições da presidência e dos membros, e as normas para funcionamento de plenárias e câmaras técnicas. Conclui-se que o documento constitui um instrumento normativo e de planejamento institucional, ao estabelecer as bases para a atuação do Conselho na formulação, acompanhamento e avaliação de políticas públicas voltadas à promoção da cidadania e dos direitos humanos da população LGBT no estado do Rio de Janeiro.

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2009

Documento oficial

Planejamento

Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República
Edvaldo José de Souza

A publicação constitui o Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, lançado em maio de 2009. O documento tem como objetivo geral orientar a construção de políticas públicas de inclusão social e de combate às desigualdades para a população LGBT, primando pela intersetorialidade e transversalidade na proposição e implementação dessas políticas. Elaborado por uma Comissão Técnica Interministerial, o Plano é resultado das deliberações da 1ª Conferência Nacional GLBT, realizada em 2008, e visa fortalecer o Programa Brasil sem Homofobia, implementado desde 2004. O documento está estruturado em princípios, diretrizes e eixos estratégicos, que abrangem a promoção e defesa da dignidade e cidadania LGBT, a implantação sistêmica das ações, a integração com outras políticas públicas, a cooperação federativa e a articulação com outros Poderes, além de mecanismos de monitoramento e avaliação. O Plano contempla 50 diretrizes e ações a serem implementadas pelo poder público para garantir a igualdade de direitos e o exercício pleno da cidadania da população LGBT. Conclui-se que o documento constitui um marco histórico no planejamento de políticas públicas, atuando como instrumento de gestão governamental e de orientação para a ação coordenada entre diferentes ministérios e secretarias, na busca pela eliminação de discriminações e pela construção de uma cultura de paz.

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2004

Documento oficial

Planejamento

Conselho Nacional de Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (CNCD/LGBT)
Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República

A publicação apresenta o Programa Brasil Sem Homofobia, política pública federal lançada em 2004 com o objetivo de promover a cidadania de gays, lésbicas, travestis, transgêneros e bissexuais a partir da equiparação de direitos e do combate à violência e à discriminação homofóbicas. O documento foi elaborado no âmbito do Plano Plurianual (PPA) 2004-2007, como parte da ação “Elaboração do Plano de Combate à Discriminação contra Homossexuais”. O programa estrutura-se em princípios que incluem a inclusão da perspectiva da não discriminação por orientação sexual nas políticas públicas do Governo Federal, a produção de conhecimento para subsidiar políticas de combate à violência e o reconhecimento do combate à homofobia como compromisso do Estado e da sociedade. Para atingir seus objetivos, o programa prevê ações voltadas ao apoio a projetos de fortalecimento institucional, capacitação de profissionais e ativistas, disseminação de informações sobre direitos e incentivo à denúncia de violações. Conclui-se que o documento constitui um marco histórico no planejamento de políticas públicas de enfrentamento à homofobia no Brasil, atuando como instrumento de gestão governamental e de orientação para a ação coordenada entre diferentes ministérios e secretarias.

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2016

Documento oficial

Planejamento

Governo do Estado do Rio de Janeiro
Conselho Estadual dos Direitos da População LGBT (CELGBT)

A publicação constitui o caderno de propostas da 3ª Conferência Estadual de Políticas Públicas e Direitos Humanos para LGBT do Rio de Janeiro, realizada entre 18 e 20 de março de 2016, sob o tema “Por um Rio que enfrente a violência contra Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais”. O documento tem como objetivo consolidar as propostas oriundas das nove conferências regionais realizadas em novembro e dezembro de 2015 e avaliar as deliberações das edições anteriores (2008 e 2011), servindo de base para a formulação de políticas públicas e para a III Conferência Nacional LGBT. A conferência estadual reuniu 340 delegados e debateu propostas em diversas áreas, como Assistência Social, Educação, Saúde, Segurança Pública, Administração Penitenciária, Cultura, Turismo, Esporte e Lazer, Legislação e Justiça, Direitos Humanos e Trabalho e Renda. Os grupos de trabalho definiram cinco propostas prioritárias para cada área, com indicação de duas prioridades, que compõem o documento final. Conclui-se que o caderno constitui um instrumento fundamental de planejamento e de controle social, ao estabelecer diretrizes e metas para a ação do Estado na promoção da cidadania e no enfrentamento à violência contra a população LGBT no Rio de Janeiro.

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2010

Documento oficial

Planejamento

Conselho Nacional de Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (CNCD/LGBT)
Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República

A publicação constitui o relatório de monitoramento das ações do Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (PNPCDH-LGBT), referente ao 1º semestre de 2010. O documento tem como objetivo sistematizar e avaliar a situação de execução das ações previstas no Plano, que envolve 166 ações sob responsabilidade de 16 Ministérios, além de 18 Ministérios previstos para compor o Comitê Interministerial de Monitoramento e Avaliação. A metodologia adotada consistiu no acompanhamento semestral por meio de contatos com representantes ministeriais, reuniões e visitas de acompanhamento realizadas em seis Ministérios (MINC, MPS, MS, MTE, MDS e MRE), utilizando planilhas com a lista de ações e sua situação de execução. Os resultados são apresentados por Ministério, detalhando o que foi iniciado e realizado em cada ação, com destaque para iniciativas nas áreas de educação, saúde, segurança pública, trabalho e direitos humanos. Conclui-se que o relatório constitui um instrumento fundamental de monitoramento e avaliação de políticas públicas, atuando como ferramenta de gestão e planejamento para a efetivação da cidadania e dos direitos humanos da população LGBT no Brasil.

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2016

Documento oficial

Planejamento

Governo do Estado do Rio de Janeiro
Conselho Estadual dos Direitos da População LGBT (CELGBT)

A publicação constitui o relatório final da 3ª Conferência Estadual de Políticas Públicas e Direitos Humanos para Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais do Rio de Janeiro, realizada em março de 2016, sob o tema “Por um Rio que enfrente a violência contra Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais”. O documento tem como objetivo consolidar as propostas aprovadas nas etapas regionais e estadual, que foram organizadas em eixos temáticos como Assistência Social, Educação, Saúde, Segurança Pública, Trabalho e Renda, Cultura, entre outros. As deliberações foram definidas a partir das propostas aprovadas nas I e II Conferências Estaduais, realizadas em 2008 e 2011, respectivamente, e compõem a base para a implementação de políticas públicas no âmbito do Programa Rio Sem Homofobia. Conclui-se que o relatório constitui um registro fundamental do processo de participação social e de construção coletiva de políticas públicas, atuando como ferramenta de planejamento para a promoção da cidadania e dos direitos humanos da população LGBT no estado do Rio de Janeiro.

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2016

Documento oficial

Planejamento

Conselho Nacional de Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (CNCD/LGBT)
Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República

A publicação constitui o relatório final da 3ª Conferência Nacional de Políticas Públicas de Direitos Humanos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, realizada em Brasília entre 24 e 27 de abril de 2016, sob o tema “Por um Brasil que Criminalize a Violência Contra Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais”. O documento tem como objetivo consolidar as diretrizes, metas e propostas de ação deliberadas no processo participativo, que contou com 845 delegados eleitos nas etapas estaduais e 51 observadores. As discussões foram organizadas em quatro eixos temáticos: Políticas Intersetoriais, Pacto Federativo, Participação Social e Sistema Nacional de Promoção da Cidadania e Enfrentamento da Violência; Educação, Cultura e Comunicação em Direitos Humanos; Segurança Pública e Sistemas de Justiça; e Marcos Jurídicos e Normativos. Foram aprovadas 192 propostas voltadas à construção de políticas públicas que respondam às necessidades da população LGBT. Destaca-se ainda a publicação do Decreto Presidencial nº 8.727/2016, que dispõe sobre o uso do nome social e o reconhecimento da identidade de gênero de travestis e transexuais na administração pública federal. Conclui-se que o relatório constitui um registro fundamental do processo de participação social e de construção coletiva de políticas públicas, atuando como ferramenta de planejamento para a promoção da cidadania e dos direitos humanos da população LGBT no Brasil.

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2011

Documento oficial

Planejamento

Governo do Estado do Rio de Janeiro
Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH)

A publicação constitui o relatório digital da 2ª Conferência Estadual de Políticas Públicas e Direitos Humanos para LGBT do Rio de Janeiro, realizada entre os dias 20 e 22 de outubro de 2011. O documento tem como objetivo consolidar as diretrizes, metas e propostas de ação deliberadas no processo participativo, que foi precedido por dez pré-conferências regionais realizadas em setembro de 2011. A conferência, convocada pelo Decreto nº 43.126 de 10 de agosto de 2011, reuniu 330 delegados e debateu mais de 250 propostas oriundas das etapas regionais, abrangendo áreas como assistência social, educação, saúde, segurança, sistema penitenciário, trabalho e direitos humanos. As deliberações aprovadas foram encaminhadas para a 2ª Conferência Nacional LGBT, realizada em dezembro de 2011. Conclui-se que o relatório constitui um registro fundamental do processo de participação social e de construção coletiva de políticas públicas, atuando como ferramenta de planejamento para a promoção da cidadania e dos direitos humanos da população LGBT no estado do Rio de Janeiro.

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2011

Documento oficial

Planejamento

Conselho Nacional de Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (CNCD/LGBT)
Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República

A publicação reúne os anais da 2ª Conferência Nacional LGBT, realizada em Brasília entre 15 e 18 de dezembro de 2011, sob o tema “Por um país livre da pobreza e da discriminação: promovendo a cidadania de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais”. O documento tem como objetivo consolidar as deliberações e diretrizes para as políticas públicas voltadas à população LGBT, avaliando a efetividade das ações previstas no Plano Nacional de Políticas Públicas resultante da 1ª Conferência e traçando novas metas para o Governo Federal. A conferência foi precedida por 27 conferências estaduais e inúmeras etapas regionais e municipais, configurando um processo participativo de mobilização social em todo o país. Os anais estão organizados em apresentação, programação, pronunciamentos na solenidade de abertura, intervenções culturais, grupos de trabalho, deliberações e anexos com o decreto de convocação e o regimento interno. Conclui-se que a obra constitui um registro fundamental do processo de participação social e de construção coletiva de políticas públicas, reafirmando as conferências como instrumento legítimo de controle social e de fortalecimento da cidadania da população LGBT no Brasil.

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2008

Documento oficial

Planejamento

Governo do Estado do Rio de Janeiro
Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH)

A publicação reúne o caderno de propostas da 1ª Conferência Estadual GLBT do Rio de Janeiro, realizada entre 16 e 18 de maio de 2008 na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). O documento tem como objetivo consolidar as metas, eixos, diretrizes e propostas de ação deliberadas nas etapas regional e estadual, servindo de base para a formulação de políticas públicas e para a 1ª Conferência Nacional GLBT. O processo foi precedido por nove pré-conferências regionais, realizadas entre março e abril de 2008, que reuniram cerca de 1.200 pessoas e elegeram delegados para a etapa estadual. A conferência estadual mobilizou 341 delegados (263 da sociedade civil e 78 do poder público) e mais 351 observadores ou convidados. O caderno de propostas foi elaborado a partir de um relatório produzido pela Câmara Técnica, que se reuniu por seis meses, e buscou envolver todas as secretarias do governo estadual, com o objetivo de avaliar e propor estratégias para implantar o Programa Rio Sem Homofobia. Conclui-se que o documento constitui um registro fundamental do processo de participação social e de construção de políticas públicas, atuando como ferramenta de planejamento para a efetivação da cidadania da população GLBT no estado do Rio de Janeiro.

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2008

Documento oficial

Planejamento

Presidência da República
Secretaria Especial dos Direitos Humanos

A publicação reúne os anais da 1ª Conferência Nacional GLBT, realizada em Brasília entre 5 e 8 de junho de 2008, convocada pelo Governo Federal para debater direitos humanos e políticas públicas voltadas à cidadania da população LGBT. O documento tem como objetivo consolidar as deliberações desse marco histórico, que foi a primeira conferência nacional representativa e institucional sobre a temática no mundo, precedida por etapas estaduais em todas as unidades federativas. Os anais estão organizados em painéis temáticos, dez eixos de deliberações finais (Direitos Humanos, Saúde, Educação, Justiça e Segurança Pública, Cultura, Trabalho e Emprego, Previdência Social, Turismo, Cidades e Comunicação) e uma seção de moções e a Carta de Brasília, documento final que sintetiza as demandas do movimento. Conclui-se que a obra constitui um registro histórico fundamental do processo de construção de políticas públicas e do exercício da cidadania ativa pela população LGBT no Brasil.

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2015

Manual

Produção metodológica

Núcleo de Defesa da Diversidade Sexual e Direitos Homoafetivos, da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro (DPRJ)

O manual é um documento técnico-jurídico destinado a subsidiar Defensores Públicos, servidores e estagiários da Defensoria Pública do Rio de Janeiro na defesa dos direitos de lésbicas, gays, travestis, transexuais e intersexuais. Adota como marco teórico uma teoria queer do Direito, criticando a lógica binária e heteronormativa do sistema jurídico. A obra está organizada em seções que tratam de:  · Recorte metodológico: fundamentação teórica baseada na teoria queer.
· Sopa de Letrinhas: definições de sexo biológico, gênero, identidade de gênero, orientação sexual, intersexualidade, transexualidade e travestilidade.
· Orientações sobre o atendimento: recomendações para o tratamento respeitoso, incluindo o uso do nome social e o acesso a banheiros conforme a identidade de gênero.
· Atuação interdisciplinar e intercâmbio institucional: importância da integração entre Direito, Serviço Social e Psicologia, e a articulação com serviços como o Programa Rio Sem Homofobia, os Centros de Cidadania LGBT, CRAS e CREAS.
· Direito das Famílias: defesa do pluralismo familiar, do princípio da afetividade, do casamento e união estável homoafetivos, da adoção e dos Princípios de Yogyakarta.
· Cidadania Trans: direito à retificação do registro civil sem exigência de cirurgia ou laudo psiquiátrico, e o acesso integral à saúde pelo Processo Transexualizador do SUS. O manual reforça a necessidade de a Defensoria Pública atuar como instrumento de transformação social e de garantia de acesso à justiça para a população LGBT.

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2020

Manual

Produção metodológica

Toni Reis

O Manual de Comunicação LGBTI+ é uma obra de referência destinada a profissionais da comunicação, jornalistas, estudantes e demais interessados em promover um jornalismo inclusivo e livre de preconceitos. O objetivo central é apresentar a terminologia mais atualizada sobre a população LGBTI+ e contribuir para a diminuição de estigmas e para o entendimento de termos recorrentes entre essa população, mas que podem não ser familiares para comunicadores. O manual é fruto de um processo colaborativo que envolveu consulta pública, contribuições de especialistas e inspiração em manuais de organizações como SOMOSGAY (Paraguai), GLAAD (EUA) e ABGLT (Brasil).

A publicação está estruturada em duas partes principais. A primeira parte apresenta conceitos fundamentais, como sexualidade, sexo biológico, orientação sexual, identidade e expressão de gênero, além de discutir discriminação, preconceito e estereótipos, e elencar as conquistas e avanços do movimento LGBTI+. A segunda parte é dedicada a orientações práticas para a abordagem da população LGBTI+ na mídia, incluindo uma seção “Não erre!” com termos e comportamentos a serem evitados, sugestões de pautas, datas relevantes para o movimento, e explicações sobre bandeiras e símbolos.

O manual adota o símbolo “+” na sigla LGBTI para abranger outras orientações sexuais, identidades e expressões de gênero. A obra parte do princípio de que “a linguagem molda o pensamento e pode influenciar comportamentos, atitudes e práticas”, conforme destacado no prefácio assinado pela diretora do UNAIDS Brasil. Nesse sentido, o manual se posiciona como uma ferramenta essencial não apenas para a mídia, mas para todas as pessoas comprometidas com a promoção dos direitos humanos e com a construção de uma sociedade mais justa e livre de discriminação.

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2021

Manual

Produção metodológica

Toni Reis
Simón Cazal

O manual é um guia prático sobre instrumentos de incidência política e jurídica para a defesa dos direitos LGBTI+. Ele aborda quatro eixos principais: advocacy (estratégias de influência sobre políticas públicas e tomadores de decisão), litigância estratégica (uso do sistema de justiça para criar precedentes e garantir direitos), controle social (participação da sociedade civil na fiscalização e formulação de políticas públicas) e accountability (mecanismos de responsabilização e transparência). A obra apresenta conceitos, metodologias, boas práticas e exemplos concretos de atuação, visando fortalecer a capacidade de organizações e ativistas LGBTI+ de incidir sobre o Estado e garantir a efetivação de direitos. É uma publicação de referência para o ativismo institucional e a defesa da cidadania LGBTI+.

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2021

Parecer 

Cidadania

Articulação Brasileira Não-Binárie (ABRANB)

O parecer da ABRANB apresenta as demandas de pessoas não-binárias no que se refere à retificação do registro civil, com foco na necessidade de reconhecimento de uma terceira menção de sexo/gênero que não se restrinja ao binômio masculino/feminino. O documento parte do princípio da autodeterminação de gênero e argumenta que a imposição do binarismo nos procedimentos de retificação constitui violência e violação de direitos. A ABRANB relata que, embora o Provimento nº 73/2018 do CNJ garanta a retificação de prenome e gênero, o requerimento ainda exige a escolha entre “masculino ou feminino”, invisibilizando identidades não-binárias. O texto propõe a alteração desse requerimento para incluir a opção “outro” ou uma menção autodeterminada. O parecer também elenca enfrentamentos cotidianos, como constrangimentos em serviços públicos, recusa de cartórios em realizar a retificação para terceiro sexo, dificuldades de acesso a documentações após a retificação (reservista, carteira de trabalho), e problemas no âmbito educacional (impedimento de assinar o nome social em TCCs, listas de chamada com nome morto, etc.). Há ainda a preocupação com o termo assinado em cartório que impede uma nova retificação, além da patologização da identidade não-binária em protocolos médicos. O documento também traz um panorama de decisões judiciais favoráveis à retificação com terceiro sexo (Santa Catarina, Piauí, Rio de Janeiro), a sugestão legislativa nº 4/2020 (em consulta pública) e o contexto internacional, com leis de terceiro gênero já aprovadas em diversos países. Por fim, a ABRANB reivindica: retificação de nome e menção de sexo para “não binário” ou outra opção autodeterminada na certidão e demais documentos; atualização de sistemas e formulários institucionais; e aceleração de judicializações pendentes.

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2019

Relatório

Vulnerabilidade

Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH)

A nota informativa documenta as violações específicas de direitos humanos enfrentadas por pessoas intersexo e a responsabilidade dos Estados na defesa desses direitos. O documento explica que pessoas intersexo nascem com características sexuais que não se encaixam nas definições típicas de corpos masculinos ou femininos, podendo incluir variações na anatomia sexual, órgãos reprodutivos, padrões hormonais e/ou cromossômicos. A publicação estima que entre 0,05% e 1,7% da população nasce com características intersexo. Entre as principais violações identificadas estão: intervenções médicas forçadas e coercitivas (especialmente em crianças), infanticídio, estigmatização, discriminação no acesso à educação, esporte, emprego e serviços, restrições à capacidade legal e dificuldades de acesso à justiça e reparação. O documento aponta como causas estruturais os estereótipos prejudiciais, o estigma, os tabus e a patologização (tratar a intersexualidade como doença ou distúrbio). A nota também aborda a terminologia, rejeitando termos patologizantes como “distúrbios do desenvolvimento sexual” (DDS) e “hermafrodita”, e defende o respeito à autodenominação das pessoas intersexo. O relatório conclui com recomendações para que os Estados garantam a proteção integral dos direitos humanos das pessoas intersexo, incluindo a proibição de cirurgias forçadas e a garantia de reconhecimento legal e acesso à justiça.

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2022

Relatório

Cidadania

Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA)
Bruna Benevides

O relatório apresenta um diagnóstico nacional sobre o acesso ao direito à retificação de nome e gênero por travestis e demais pessoas trans no Brasil. A publicação parte do princípio da autodeterminação de gênero e da garantia do nome social como direitos fundamentais ligados à cidadania, à dignidade da pessoa humana e à não discriminação. O documento analisa os marcos normativos e jurídicos que asseguram esse direito (Princípios de Yogyakarta, ADI 4275, RE 670.422, Provimento nº 73/2018 do CNJ) e, em seguida, apresenta os resultados de uma pesquisa que ouviu pessoas trans que já retificaram, que não retificaram e que pretendem retificar seus registros civis. Os dados revelam as barreiras burocráticas, institucionais e sociais que impedem a efetivação do direito à identidade, incluindo casos de transfobia nos processos de retificação e os retrocessos trazidos pelo novo modelo de RG. O relatório conclui com recomendações e com a reafirmação da autodeterminação identitária como princípio central do direito à retificação de nome.

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2024

Relatório

Vulnerabilidade

Jessyka Rodrigues
Fórum Nacional de Travestis e Transexuais Negras e Negros (FONATRANS)
Fiocruz Piauí

O estudo “Travestilidades Negras: Movimento Social, Ativismo e Políticas Públicas” é uma pesquisa inédita realizada pelo FONATRANS em parceria com a Fiocruz Piauí, com o objetivo de evidenciar as diferenças no acesso às políticas públicas pela população trans negra no Brasil. O levantamento foi feito com base em 300 questionários respondidos online por pessoas trans negras de todos os estados e do Distrito Federal. A amostra foi composta majoritariamente por pessoas pretas (55,67%) e pardas (42,89%). Entre as principais demandas apontadas, 32% dos entrevistados consideram a educação de qualidade como prioridade para a melhoria de vida da população trans, seguida por respeito institucional (17%) e formação profissional (16%). Os dados revelam que as políticas públicas estão distantes: para 21% dos entrevistados elas precisam de melhorias urgentes, 19% as consideram pouco acessíveis e 19% pouco eficazes. Sobre o acesso, 40% nunca foram assistidos por política específica para pessoas trans, 49% acessaram a retificação do nome no registro de nascimento e apenas 2% frequentaram um ambulatório trans. A pesquisa também revelou que, entre os respondentes, 5,22% não possui ensino fundamental e 14,35% não completou o ensino médio, índices que refletem o processo de “expulsão escolar” pela discriminação e violência. O estudo traça um perfil da população trans negra brasileira e demonstra a falta de acesso a direitos básicos como educação, saúde, moradia e lazer, reforçando a importância de dados para a construção de políticas públicas inclusivas.

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2022

Relatório

Cidadania

Liga Brasileira de Lésbicas (LBL) Associação Lésbica Feminista de Brasília (Coturno de Vênus)

A introdução do LesboCenso Nacional apresenta a 1ª etapa do mapeamento de vivências lésbicas no Brasil, coordenado pela LBL e pela Coturno de Vênus. A pesquisa nasce de um mapeamento regional no Distrito Federal (2018-2020), ampliado para o âmbito nacional em 2021, sob uma perspectiva acadêmico-científica-ativista. O texto destaca os desafios enfrentados, como a lesbofobia institucional na academia e a lesbofobia acadêmica nos movimentos sociais, que colocam as pesquisadoras lésbicas em um “não lugar”. O relatório justifica a relevância do estudo diante da escassez de dados oficiais sobre a população LBT e do contexto de regressão de direitos no Brasil. São citados dados alarmantes: em 2017, em média 6 lésbicas foram estupradas por dia no país; entre 2015 e 2017, foram registradas 24.564 notificações de violências contra a população LGBT, das quais 46,6% eram transexuais/travestis e 32,6% lésbicas. O documento critica a limitação do IBGE (PNS 2019), que abordou apenas “prática sexual” sem contemplar identidades e excluiu pessoas trans. Também denuncia o apagamento da saúde lésbica, com foco quase exclusivo em ISTs/HIV/Aids para homens gays e estigma de que mulheres que fazem sexo com mulheres não correriam risco. Os objetivos geral e específicos incluem descrever o perfil sociodemográfico, verificar fatores de vulnerabilidade, descrever comportamentos de risco frente ao HIV/Aids e ISTs, caracterizar violações de direitos e estimar a prevalência de lesbofobia.

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2021

Relatório

Vulnerabilidade

Revista Estudos Transviades

Este estudo apresenta, de forma pioneira, uma estimativa da população de pessoas residentes no DF que se identificam lésbicas, gays, bissexuais, trans, queer, intersexo, ou assexuais – LGBTQIA+[1]. A Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios de 2021 – PDAD 2021 – foi a primeira pesquisa realizada por um órgão governamental distrital que identificou a orientação sexual e a identidade de gênero das pessoas com mais de18 anos em todo o território do DF. Até então, por falta de informações oficiais, era difícil estimar o tamanho e o perfil da população LGBTQIA+ no Brasil e no Distrito Federal. A primeira pesquisa no âmbito nacional feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) foi realizada em 2019[2] e buscou informações apenas sobre orientação sexual, não contabilizando as pessoas trans. De acordo com a PDAD 2021, 3,8% da população com mais de 18 anos ou 87.920 pessoas se identificaram como LGBTQIA+. Este estudo apresenta o perfil sociodemográfico da população LGBTQIA+ e analisa indicadores educacionais e de acesso ao mercado de trabalho dessa população.O relatório A dor e a delícia das transmasculinidades no Brasil resulta do Mapeamento Geral de Homens Trans/Transmasculinos/Transmasculines no Brasil, realizado em 2020 pela Revista Estudos Transviades em parceria com o Instituto Raça e Igualdade, com 1.219 respostas e entrevistas em profundidade. A partir de metodologia netnográfica e de corte transversal, o estudo traça um perfil socioeconômico da população transmasculina brasileira e evidencia processos de invisibilidade, exclusão e violência. Os resultados indicam que 85,9% sofreram transfobia, 82,9% machismo/misoginia, 64,5% outras LGBTQIAP+fobias, 50,6% assédio sexual, 22,4% gordofobia e 17,7% racismo, sobretudo em espaços públicos, no ambiente familiar, na escola/universidade e no trabalho. Na educação, 13,4% deixaram de estudar em virtude de transfobia, e 68,3% não tiveram o nome social respeitado em boletins de ocorrência. Na saúde, 64,1% relataram desrespeito à identidade de gênero, 61,4% ao nome social, e a maioria não frequenta ginecologistas, enfrentando barreiras financeiras e filas para mastectomia e histerectomia. Durante a pandemia de COVID-19, 51,1% relataram ansiedade, depressão ou solidão. O documento também resgata a história do movimento transmasculino brasileiro (ABHT, IBRAT, I ENAHT) e apresenta recomendações ao Executivo, aos Ministérios Públicos, ao Judiciário, ao Legislativo, às Defensorias, à sociedade civil e a organismos internacionais, com foco na produção de dados, no combate à LGBTIfobia e na garantia de direitos.

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2017

Artigo

Vulnerabilidade

Clarisse Cavalcante Kalume 
Lucas Paoli Itaborahy
Julio Cesar Carneiro Moreira

Este estudo tem como objetivo expor e analisar a situação de desigualdade social e econômica vivenciada pelas pessoas LGBT de baixa renda no Brasil, mais especificamente no Rio de Janeiro, onde o trabalho de campo foi realizado. Baseado na pesquisa “Pessoas LGBT vivendo em pobreza no Rio de Janeiro”, publicada pela ONG
britânica Micro Rainbow International em 2014 e em seu subsequente projeto social em andamento, o artigo investiga como os padrões de interseccionalidade entre classe social, orientação sexual e identidade de gênero se conformam na produção de vulnerabilidades específicas para a população LGBT do Rio de Janeiro e as consequências da desigualdade
de renda em suas vidas.

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2021

Sumário

Vulnerabilidade

Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal 

Este estudo apresenta, de forma pioneira, uma estimativa da população de pessoas residentes no DF que se identificam lésbicas, gays, bissexuais, trans, queer, intersexo, ou assexuais – LGBTQIA+[1]. A Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios de 2021 – PDAD 2021 – foi a primeira pesquisa realizada por um órgão governamental distrital que identificou a orientação sexual e a identidade de gênero das pessoas com mais de18 anos em todo o território do DF. Até então, por falta de informações oficiais, era difícil estimar o tamanho e o perfil da população LGBTQIA+ no Brasil e no Distrito Federal. A primeira pesquisa no âmbito nacional feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) foi realizada em 2019[2] e buscou informações apenas sobre orientação sexual, não contabilizando as pessoas trans. De acordo com a PDAD 2021, 3,8% da população com mais de 18 anos ou 87.920 pessoas se identificaram como LGBTQIA+. Este estudo apresenta o perfil sociodemográfico da população LGBTQIA+ e analisa indicadores educacionais e de acesso ao mercado de trabalho dessa população.

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2015

Manual

Trabalho e renda

Txai Consultoria e Educação
Beto de Jesus
Bruna Douek
Reinaldo Bulgarelli

O manual apresenta diretrizes para a promoção da igualdade de oportunidades e o combate à homo-lesbo-transfobia no mundo do trabalho. Estruturado em torno de quatro histórias baseadas em casos reais — uma mulher lésbica sindicalista, uma mulher trans, um homem gay e um homem heterossexual vivendo com HIV/Aids —, o documento evidencia como o estigma e a discriminação afetam o acesso, a permanência e o desenvolvimento profissional de pessoas LGBT e pessoas vivendo com HIV/Aids. A publicação parte da Recomendação nº 200 da OIT sobre HIV/Aids e o mundo do trabalho (2010) e da Convenção nº 111 sobre discriminação em matéria de emprego e profissão, e propõe uma abordagem institucional que vincula a promoção dos direitos humanos à identidade organizacional (missão, valores, código de conduta e políticas de igualdade). O material inclui os 10 compromissos da empresa com a promoção dos direitos LGBT, indicativos de ação, indicadores de profundidade e sugestões de como estruturar diagnósticos e planos de ação. Conclui que ambientes de trabalho livres de discriminação e assédio são condição para o trabalho decente e para o desenvolvimento sustentável das organizações e da sociedade.

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2021

Guia 

Trabalho e renda

Instituto Ethos
Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+

Os textos prefaciais do Guia Temático para Promoção dos Direitos LGBTI+ apresentam a nova geração dos Indicadores Ethos, ferramenta de diagnóstico, planejamento e gestão em responsabilidade social empresarial. O Instituto Ethos relata o processo participativo iniciado em 2010, com instâncias multistakeholder, para atualizar os indicadores e integrar sustentabilidade e RSE aos negócios. O Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+ contextualiza a criação do Fórum em 2013 e seus 10 compromissos, destacando o papel das empresas na promoção da igualdade e no combate à discriminação. O Ministério Público do Trabalho de São Paulo apresenta sua atuação institucional e o Projeto Cozinha & Voz, voltado à capacitação e empregabilidade de pessoas trans. Os textos também explicam a metodologia dos Indicadores Ethos, com quatro dimensões, temas, subtemas e indicadores estruturados em cinco estágios de maturidade (Cumprimento Inicial, Iniciativas e Práticas, Políticas e Sistemas de Gestão, Eficiência e Protagonismo), e apresentam os fundamentos constitucionais, convencionais e legais da proteção dos direitos LGBTI+, incluindo os Princípios de Yogyakarta, a Convenção Interamericana contra a Discriminação e a jurisprudência do STF.

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2020

Relatório

Trabalho e renda

ONG TODXS

A Pesquisa Nacional por Amostra da População LGBTI+, realizada pela TODXS, tem como objetivo produzir dados estatísticos confiáveis e comparáveis sobre a população LGBTI+ no Brasil, suprindo a escassez de informações oficiais. O prefácio, de Ubirajara de None Caputo, destaca que a vulnerabilidade de pessoas LGBT no mercado de trabalho decorre da LGBTfobia estrutural e defende a necessidade de dados de qualidade para políticas públicas, citando como exemplo o impacto da falta de dados precisos sobre HIV/AIDS na população gay. A apresentação da TODXS contextualiza a criação da ONG em 2017 e o ineditismo da pesquisa, que busca embasar políticas públicas e ações empresariais. A introdução apresenta um retrospecto histórico do movimento LGBTI+ brasileiro desde os anos 1970, as conquistas políticas e judiciais (PNDH, Brasil Sem Homofobia, Plano Nacional LGBT, SUS, STF) e a persistente ausência de dados governamentais sobre a população LGBTI+, que faz com que organizações da sociedade civil assumam essa tarefa. O documento conclui que a pesquisa visa minimizar a invisibilidade estatística e fortalecer a formulação de políticas públicas baseadas em evidências.

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2020

Guia 

Trabalho e renda

Instituto Ethos
Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+

O Guia Temático para Promoção dos Direitos LGBTI+ é uma publicação do Instituto Ethos e do Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+, submetida a consulta pública, que adapta a metodologia dos Indicadores Ethos para o tema da diversidade sexual e de gênero. Organizado em dimensões, temas e indicadores, o guia define cinco estágios de maturidade empresarial — Cumprimento/Tratativa Inicial, Iniciativas e Práticas, Políticas/Procedimentos/Sistemas de Gestão, Eficiência e Protagonismo — e abrange áreas como estratégia, governança, cultura organizacional, cadeia de suprimentos, comunicação, direitos humanos, práticas de trabalho, saúde e segurança e investimento social. Seu propósito é oferecer às empresas uma ferramenta de autodiagnóstico e gestão para promover a igualdade de oportunidades, combater a discriminação e consolidar práticas de respeito aos direitos LGBTI+.

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2026

Relatório

Trabalho e renda

Banco Mundial

Evidências indicam que estigma, discriminação e exclusão de pessoas LGBTI+ impõem custos econômicos e fiscais significativos, reduzindo participação no mercado de trabalho, retorno da educação, produtividade e geração de empregos. O estudo estima o custo econômico da exclusão LGBTI+ no Brasil e busca oferecer evidências para o debate de políticas públicas. Para isso, utiliza dois modelos complementares — perdas salariais e de participação laboral e impactos fiscais — e coleta novos dados por amostragem intencional e grupos focais em 2025. Os achados apontam custos mensuráveis da exclusão, indicando que reduzir estigma e discriminação pode gerar ganhos econômicos. Conclui-se pela necessidade de efetivar proteções legais, fortalecer marcos jurídicos e institucionais e combater o estigma social. Ressalta-se que a amostra pode não ser plenamente representativa da população LGBTI+ brasileira.

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2017

Manual

Justiça

Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão
Ministério Público do Estado do Ceará

A apresentação contextualiza a criação do manual, partindo do princípio constitucional de promover o bem de todos sem preconceitos (art. 3º, IV, CF/88) para constatar que o Brasil ainda é uma sociedade que discrimina e comete violências contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros. Destaca que os episódios de agressões e homicídios noticiados pela imprensa são apenas a face mais visível de um cotidiano de preconceito e privação de direitos nos espaços públicos, no trabalho, na mídia, nas escolas e na própria família. Diante disso, afirma que o Ministério Público, como instituição comprometida com os direitos fundamentais, deve atuar no reconhecimento e na promoção da igualdade e da não discriminação, tanto internamente quanto nos serviços públicos, na educação, no emprego e na comunicação. O texto justifica a publicação como forma de consolidar conceitos, apresentar direitos conquistados e a legislação aplicável, com o objetivo de contribuir para um Ministério Público aberto à diversidade sexual e de gênero e comprometido com a promoção da igualdade e da liberdade sem discriminações.

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2021

Relatório

Justiça

Arthur Fontgaland
Lucas Bulgarelli

Dennis Pacheco
Juliana Mota
Leona Wolf

O relatório analisa os impactos da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de 13 de junho de 2019, que reconheceu a LGBTfobia como crime de racismo (ADO 26/DF e MI 4733). Passados dois anos, a pesquisa constata que a criminalização ainda não se efetivou na prática. A partir de entrevistas em profundidade com profissionais das polícias civil e militar, promotorias, defensorias, magistratura, advocacia especializada e militantes das cinco regiões do país, foram identificadas 34 barreiras que impedem o reconhecimento institucional da decisão. As barreiras foram agrupadas em cinco eixos: · Eixo A – Questões estruturais: resistência do Estado em reconhecer crimes de ódio; modelo de policiamento que negligencia grupos vulneráveis; desvinculação entre regras e práticas institucionais; indisposição política para pautar direitos LGBTI+; não reconhecimento das políticas criminais como políticas de Estado; teto de vidro e cultura masculinista nas corporações; denúncias processadas apenas com visibilidade midiática; acesso desigual à justiça.
· Eixo B – Falta de transparência e opacidade do Estado: inexistência ou baixo preenchimento de campos de orientação sexual e identidade de gênero nos boletins de ocorrência; ausência de campos de motivação LGBTIfóbica; falta de coordenação federativa na gestão da informação; ausência de categorias específicas nos sistemas do Judiciário.
· Eixo C – Procedimentos institucionais: descontinuidade de ações; não reconhecimento do nome social; treinamentos insuficientes; despreparo da Polícia Civil; receio de revitimização; número insuficiente de delegacias especializadas; ausência de padronização dos sistemas estaduais.
· Eixo D – Reconhecimento jurídico: falta de reconhecimento da motivação LGBTIfóbica pela Justiça; casos de racismo tratados como injúria racial; dissenso sobre aplicação da injúria racial; dificuldade de provas; disputas institucionais sobre a validade da decisão; escassez de ferramentas jurídicas unificadas; uso imoderado de prerrogativas do Ministério Público; alegação de desconhecimento das especificidades; relativização do discurso de ódio; dificuldade da Lei de Racismo em absorver outras formas de discriminação.
· Eixo E – Barreiras trazidas pela pandemia da COVID-19: descontinuidade de ações de difusão da decisão; interrupção de grupos e mecanismos institucionais; postergação de julgamentos de réus soltos. O relatório conclui que o conjunto dessas barreiras constitui uma violência institucional LGBTIfóbica perpetrada por órgãos e agentes do Estado, que impossibilita o reconhecimento da criminalização da LGBTfobia no Brasil. A decisão do STF, embora importante, é apenas um primeiro passo; sua efetivação depende de mobilização constante, capacitação, padronização de dados, protocolos policiais e compromisso institucional com a cidadania LGBTI+.

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2017

Artigo

Justiça

Lucas Freire

Este artigo apresenta algumas reflexões sobre o processo de formação do Núcleo de Defesa da Diversidade Sexual e Direitos Homoafetivos da Defensoria Pública Geral do Estado do Rio de Janeiro (NUDIVERIS/DPGE-RJ). Por um lado, tenho como objetivo discutir como a estrutura de um serviço público para o atendimento da chamada “população LGBT” espelha a forma pela qual tais pessoas são vistas e como suas demandas são produzidas e incorporadas nas agendas políticas e aparatos administrativos do Estado. Por outro, busco refletir sobre como a estrutura profissional da instituição é orientada por certas concepções morais ligadas tanto ao gênero femininoquanto a um discurso de defesa dos “direitos humanos”.

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2015

Manual

Justiça

Núcleo de Defesa da Diversidade Sexual e Direitos Homoafetivos (NUDIVERSIS)
Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro (DPRJ)

O Manual de atuação em defesa dos direitos da população LGBT é um documento técnico-jurídico destinado a subsidiar Defensores Públicos, servidores e estagiários da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro na defesa dos direitos fundamentais de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e intersexuais. O manual adota como marco teórico uma teoria queer do Direito, criticando a lógica binária e heteronormativa do sistema jurídico e propondo uma interpretação das normas capaz de romper com a histórica legitimação de desigualdades. A obra está organizada em seções que tratam de: recorte metodológico; “sopa de letrinhas” (conceitos de sexo biológico, gênero, identidade de gênero, orientação sexual, intersexualidade, transexualidade e travestilidade); orientações para o atendimento de pessoas LGBT; atuação interdisciplinar; intercâmbio interinstitucional; direito das famílias; e cidadania trans. Entre as principais orientações, o manual recomenda: evitar termos como “opção sexual”, “homossexualismo” e “transsexualismo”; respeitar o nome social e a identidade de gênero no atendimento, em documentos e bancos de dados; assegurar o uso de banheiros e espaços segregados conforme a identidade de gênero; e promover atuação interdisciplinar entre Direito, Serviço Social e Psicologia. No campo do Direito das Famílias, defende o pluralismo familiar, o princípio da afetividade, o reconhecimento da união estável e do casamento homoafetivo (ADI 4277/ADPF 132 e Resolução CNJ nº 175/2013), a adoção homoafetiva e os Princípios de Yogyakarta. Na cidadania trans, sustenta o direito à retificação do registro civil sem exigência de cirurgia ou laudo psiquiátrico, além do acesso integral à saúde pelo Processo Transexualizador do SUS. O manual também articula a atuação da Defensoria com serviços como o Programa Rio Sem Homofobia, os Centros de Cidadania LGBT, CRAS e CREAS, e reforça a importância da rede de acolhimento e da educação em direitos. Trata-se de manual institucional, não de artigo científico.

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2025

Relatório

Violência

Bruna G. Benevides

A Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) apresenta a 8ª edição
do “Dossiê: Assassinatos e Violências contra Travestis e Transexuais Brasileiras”, com dados
atualizados de 2024 sobre a violência contra pessoas trans no Brasil. Este documento traz uma análise detalhada e aprofundada do contexto político e social que agrava o estado de exceção enfrentado por essa população.
Apesar de uma redução de 16% nos casos de assassinatos de pessoas trans em relação ao ano anterior, o cenário permanece adverso, sem políticas públicas efetivas para combater essa violência. Isso se torna evidente ao observar que, mesmo com a diminuição nos dados registrados
pela pesquisa, o Brasil segue, pelo 16º ano consecutivo, como o país que mais assassina pessoas trans no mundo. A vítima mais jovem tinha apenas 15 anos, e o perfil das vítimas permanece alarmante: majoritariamente jovens trans negras, empobrecidas, nordestinas e assassinadas em espaços públicos, com requintes de crueldade.
A política estatal que perpetua a subnotificação sistemática e os desafios no monitoramento
de casos de violência LGBTfóbica continuam a representar obstáculos significativos. O estado
tem falhado em promover melhorias significativas na vida das pessoas trans, evidenciando que a transfobia continua a violar os direitos fundamentais à vida e à liberdade, especialmente entre jovens trans. Essa violência é fomentada por projetos políticos nos quais a extrema-direita protagoniza ataques contra pessoas trans, ganhando força com “novos agentes” das políticas antitrans e transexcludentes.
Está cada vez mais evidente que o cenário de ataques contra os direitos trans coloca
em risco mulheres cisgêneras, que seguem sendo vítimas de violência de gênero, enfrentando desafios semelhantes aos vivenciados pelas pessoas trans frente a patrulha de gênero imposta por agentes políticos que elegeram pessoas trans como inimigas prioritárias.
Este dossiê, portanto, é um manifesto de memória e resistência que reforça a urgência de ações concretas para garantir direitos e combater as diversas formas de violência que afetam as pessoas trans e travestis.

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2024

Relatório

Violência

Bruna G. Benevides

Nesta 7ª edição, a primeira lançada em um governo que atua sob uma perspectiva progressista, traremos uma analise ampliada sobre a mudança do governo na vida das pessoas trans, e evidências do quanto a transfobia segue afetando o direito à vida e à liberdade da juventude trans. No Brasil que voltou, a violência contra pessoas trans permaneceu endêmica, com centenas de vidas perdidas, muitas sem tratamento adequado pelo Estado.
Em 2023, houve um aumento de mais de 10% nos casos de assassinatos de pessoas trans em relação a 2022. Destacando o fato de o país figurar novamente como o que mais consome
pornografia trans nas plataformas de conteúdo adulto no mesmo momento em que o Brasil seguiu como o país que mais assassinou pessoas trans pelo 15º ano consecutivo. Se manteve a política estatal de subnotificação da violência lgbtifóbica.
Entre as mortes em 2023, foram 155 casos, sendo 145 casos de assassinatos e 10 pessoas trans suicidadas. A mais jovem trans assassinada tinha 13 anos, e vimos a persistência de uma patrulha contra crianças e adolescentes trans. Observou-se ainda que a manutenção da violência parte de um projeto político em que a extrema direita assumiu o protagonismo preocupante da pauta das pessoas trans. E pudemos ainda observar os impactos da polícia de gênero para mulheres cisgêneras, em casos em que foram tratadas como geralmente a sociedade trata pessoas trans. Em sua versão mais atualizada, a pesquisa anual Dossiê: Assassinatos e violências contra travestis e transexuais brasileiras, apresenta os dados de 2023 sobre a situação de violência
e assassinatos contra pessoas trans brasileiras. Ficou evidente que o desafio de reconstruir o Brasil deve assumir – com urgência – um compromisso público com a vida das pessoas.

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2023

Relatório

Violência

Bruna Benevides
Alexandre Bogas Fraga Gastaldi
Gustavo Coutinho

O Dossiê 2022 de Mortes e Violências contra LGBTI+ no Brasil, produzido pelo Observatório de Mortes e Violências contra LGBTI+ — integrado pela Acontece Arte e Política LGBTI+, pela ANTRA e pela ABGLT —, tem como objetivo documentar e sistematizar os casos de violência letal contra a população LGBTI+ no país. A partir de uma base de dados compartilhada entre as três instituições, foram registradas 273 mortes violentas em 2022, sendo 228 assassinatos, 30 suicídios e 15 mortes por outras causas. O documento adota o conceito de LGBTIfobia estrutural para analisar a violência como parte de um contexto de exclusão e negação de direitos, e não apenas como casos isolados de ódio. Entre os grupos mais vulneráveis, o dossiê destaca travestis em situação de rua e contextos de prostituição precarizada, lésbicas cisgêneras perseguidas por ex-parceiros e gays cisgêneros que sofrem discriminação de vizinhos e parentes. O relatório também aponta a ausência de dados governamentais sobre a violência LGBTI+ e a naturalização das violações, concluindo que o Brasil permanece como o país que mais assassina pessoas trans no mundo pelo 14º ano consecutivo.

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2022

Relatório

Violência

Bruna Benevides

O dossiê, elaborado pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) com apoio do Instituto Brasileiro Trans de Educação (IBTE), documenta a violência letal contra travestis e pessoas trans no Brasil em 2021. Foram mapeados 140 assassinatos, uma queda em relação aos 175 casos de 2020, mas ainda acima da média histórica desde 2008. Do total, 135 vítimas eram travestis e mulheres trans (96%) e 5 eram homens trans ou pessoas transmasculinas. Quanto ao perfil racial, 81% das vítimas se identificavam como pretas ou pardas e 19% como brancas. A faixa etária mais atingida foi de 21 a 30 anos (51% dos casos com idade identificada), incluindo cinco menores de idade. O documento também denuncia a subnotificação, a omissão do poder público e a necessidade de políticas efetivas de enfrentamento à transfobia, concluindo que o Brasil segue como o país que mais mata pessoas trans no mundo.

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2021

Relatório

Violência

Bruna G. Benevides
Sayonara Naider Bonfim Nogueira

O dossiê, elaborado pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) e pelo Instituto Brasileiro Trans de Educação (IBTE), documenta a violência letal contra travestis e mulheres trans no Brasil em 2020. Foram mapeados pelo menos 175 assassinatos, o maior número registrado desde o início do levantamento, representando aumento de 41% em relação a 2019 (124 mortes) — uma morte a cada dois dias. Do total, 78% das vítimas eram pessoas negras, e a faixa etária mais atingida foi de 15 a 29 anos (56% dos casos com idade identificada). O documento também denuncia a subnotificação dos crimes e a omissão do poder público, concluindo que o Brasil segue como o país que mais mata pessoas trans no mundo e defendendo políticas públicas efetivas de proteção e enfrentamento da transfobia.

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2021

Relatório

Violência

Rogerio Barros Sganzerla
Stephanie Lima
Cláudio Nascimento Silva

O Dossiê da violência em razão da identidade de gênero e orientação sexual no Estado do Rio de Janeiro é o relatório final da pesquisa do Projeto Painel da Violência contra a População LGBTI+ – Rio, executado pela Aliança Nacional LGBTI+ e pelo Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBT entre dezembro de 2019 e abril de 2021, com financiamento de emenda parlamentar do então deputado federal Jean Wyllys. O estudo tem como objetivo mapear e analisar a violência e a discriminação motivadas por orientação sexual e identidade de gênero no estado do Rio de Janeiro, bem como avaliar as respostas institucionais do sistema de segurança, justiça e direitos humanos. A metodologia combinou pesquisa documental, entrevistas com operadores do sistema de segurança e justiça, seminários estaduais, encontros regionais com ativistas e gestores, grupos focais para escuta ativa da comunidade LGBTI+ e visitas técnicas a instituições de segurança pública e defesa de direitos. A pesquisa também aplicou questionários a usuários e operadores, cujos resultados estão detalhados nos apêndices do relatório. Os resultados estão organizados em três blocos: (1) registros de violência LGBTI+; (2) perfil das vítimas e autoria; e (3) demandas da população LGBTI+. O documento evidencia a subnotificação dos casos, a omissão do poder público e a necessidade de políticas públicas efetivas de proteção, punição e enfrentamento da LGBTfobia. Entre as conclusões, destaca-se a importância de fortalecer a rede de proteção social para pessoas LGBTI+ vítimas de violência e discriminação, além de recomendações voltadas à qualificação do atendimento policial e à articulação intersetorial para garantir direitos.

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2006

Artigo

Violência

Silvia Ramos
Sérgio Carraras

A violência contra homossexuais tem representado um tema central para o ativismo, para governos e para a mídia. O objetivo deste artigo é analisar os principais aspectos das agendas do movimento homossexual, isto é, de seus discursos e práticas voltadas para influir nas políticas públicas para enfrentar a violência. Em especial, interessa-nos identificar as relações entre ativismo e academia nesses processos e o modo pelo qual, a partir dessa relação, um certo tipo de conhecimento vem sendo produzido no Brasil.

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2024

Relatório

Violência

Grupo Gay da Bahia
Aliança Nacional LGBTI+

O relatório Observatório 2024 de Mortes Violentas de LGBT+ no Brasil, elaborado pelo Grupo Gay da Bahia (GGB) em parceria com a Aliança Nacional LGBTI+, tem como objetivo documentar e quantificar a violência letal contra a população LGBT+ no país. A partir de levantamento de notícias e registros de casos, o documento contabiliza 291 mortes violentas em 2024, sendo 273 homicídios e 18 suicídios, o que representa aumento de 8,83% em relação a 2023 (257 mortes) e uma morte a cada 30 horas. Os resultados apontam que o Brasil permanece como o país que mais mata LGBT+ no mundo; a região Nordeste e o Sudeste concentram 34,02% dos casos cada, seguidos pelo Centro-Oeste (15,12%), Norte (11,68%) e Sul (5,15%). Entre as vítimas, gays representam 56,70% (165), travestis/trans 32,99% (96), lésbicas 3,78% (11) e bissexuais 2,41% (7). A faixa etária mais atingida é de 26 a 35 anos (22,68%), e 60,8% das vítimas tinham entre 19 e 45 anos. O relatório também destaca a subnotificação, a omissão do poder público e a necessidade de políticas públicas efetivas de proteção, punição e enfrentamento da LGBTfobia.

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2022

Relatório

Violência

Bárbara Suelen Coloniese (MNPCT)
Guilherme Gomes Ferreira (ONG SOMOS)
Caio Cesar Klein (ONG SOMOS)

Este relatório apresenta os resultados da primeira inspeção nacional realizada pelo Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (MNPCT) com foco na população LGBTI+ privada de liberdade no Brasil, publicada em setembro de 2023. O objetivo central é relatar e analisar as condições de encarceramento e as graves violações de direitos humanos enfrentadas por lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, intersexuais e demais dissidências de gênero no sistema prisional brasileiro. A inspeção foi conduzida de forma colaborativa, envolvendo peritas e peritos do MNPCT, a sociedade civil organizada — como a ONG Somos, a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), a Associação Brasileira LGBTI+ (ABGLT) e a Pastoral Carcerária —, além de mecanismos estaduais de prevenção à tortura e defensores públicos. Metodologicamente, o estudo baseia-se em inspeções presenciais a unidades prisionais em diversos estados, entrevistas com pessoas privadas de liberdade, observação direta e análise documental, adotando como referencial os conceitos de tortura, vulnerabilidade e reconhecimento. Os resultados evidenciam um cenário de violência estrutural e institucional: a tortura psicológica é relatada como constante, manifestando-se por meio de punições por expressões de afeto, imposição de padrões de cabelo e vestimenta, xingamentos e ofensas; a violência física e sexual também foi identificada, assim como a superlotação de celas, a situação de mulheres trans em unidades masculinas, a interrupção do uso de hormônios e de medicações antirretrovirais, o assédio de facções criminosas e religiosas que promovem conversões forçadas, a negligência de agentes prisionais e a dificuldade no respeito ao nome social. O relatório conclui que a tortura contra a população LGBTI+ é uma política de ordem que se sustenta na cisnormatividade e na heterossexualidade como paradigmas, e que a efetivação da proteção jurídica exige a implementação integral de normativas como a Resolução nº 348/2020 do CNJ, a revogação da Resolução nº 366/2021/CNJ, a formação continuada de agentes prisionais, a criação de espaços seguros e a garantia de acesso à saúde específica.

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2021

Relatório

Violência

Grupo Gay da Bahia
Aliança Nacional LGBTI+

O relatório Mortes violentas de LGBT+ no Brasil – 2021, elaborado pelo Grupo Gay da Bahia (GGB) em parceria com a Aliança Nacional LGBTI+, tem como objetivo documentar e quantificar a violência letal contra a população LGBT+ no país. A partir de levantamento de notícias e registros de casos, o documento contabiliza 300 mortes violentas em 2021, sendo 276 homicídios e 24 suicídios, o que representa aumento de 8% em relação a 2020 e uma morte a cada 29 horas. Os resultados apontam que o Brasil permanece como o país que mais mata LGBT+ no mundo; a região Nordeste concentra 35% dos casos, seguida pelo Sudeste (33%). Entre as vítimas, gays representam 51% e travestis/transexuais, 36,67%. O relatório conclui que a violência persiste de forma estrutural e defende a necessidade de políticas públicas efetivas de proteção, punição e enfrentamento da LGBTfobia.

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2022

Relatório

Violência

Conselho Nacional de Justiça (CNJ)

Este relatório apresenta os resultados da pesquisa “Discriminação e Violência contra a População LGBTQIA+”, desenvolvida pelo CNJ em parceria com o PNUD, com o objetivo de identificar e analisar as formas de violência e discriminação judicializadas contra a população LGBTQIA+ no Brasil. A pesquisa adotou abordagem quali-quantitativa, combinando extração de dados processuais em bases como o Diário de Justiça Nacional e o DataJud, busca jurisprudencial nos tribunais de justiça e tribunais regionais federais, e entrevistas semiestruturadas com operadores do sistema de justiça e segurança pública, além de vítimas de LGBTfobia. Foram analisados 5.856 textos e identificados 1.185 processos com termos relacionados à homotransfobia. Os resultados evidenciam que, entre os casos judicializados, 43,8% das vítimas são mulheres lésbicas, 37% mulheres trans e 12% homens gays, e que 97,4% dos agressores são homens. A violência doméstica esteve presente em 14,7% dos casos, e os crimes mais recorrentes foram homicídio, injúria, lesão corporal e ameaça. A pesquisa também constatou lacunas significativas no Sistema de Justiça: ausência de tipificação específica para crimes LGBTfóbicos, subnotificação, dificuldades no registro e na caracterização da motivação, e falta de preparo institucional para acolher as vítimas. Conclui-se que a efetivação da proteção jurídica à população LGBTQIA+ exige a implementação de instrumentos específicos, como o Formulário Rogéria (Registro de Ocorrência Geral de Emergência e Risco Iminente à Comunidade LGBTQIA+), a formação continuada de magistrados e servidores, e a produção sistemática de dados desagregados que subsidiem políticas públicas de enfrentamento à LGBTfobia.

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2020

Cartilha

Segurança Pública

Conselho Nacional de Justiça (CNJ)

Em 13 de outubro de 2020, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) editou a Resolução nº 348 que
estabelece diretrizes e procedimentos a serem observados pelo Poder Judiciário, no âmbito criminal e no socioeducativo, com relação ao tratamento da população lésbica, gay, bissexual, transexual, travesti ou intersexo que seja custodiada, acusada, ré, condenada, privada de liberdade, em cumprimento de alternativas penais ou monitorada eletronicamente, representada em processo de apuração de ato
infracional ou em cumprimento de medida socioeducativa. Na sequência, o CNJ publicou Manual Resolução
nº 348/2020 – Procedimentos relativos a pessoas LGBTI acusadas, rés, condenadas ou privadas de liberdade com o objetivo de facilitar a implementação das diretrizes e procedimentos por ela estabelecidos, o qual integra a série Fazendo Justiça e está disponível no site do CNJ.
Este texto se baseia na referida Resolução e em seu Manual, configurando-se em mais uma ferramenta para a efetivação dessas diretrizes que serão apresentadas de forma concisa e com destaque às principais disposições sobre a garantia de direitos das pessoas acusadas, rés, condenadas, privadas de liberdade, em cumprimento de alternativas penais ou monitoradas eletronicamente pertencentes à população LGBTI.

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2018

Dossiê

Segurança Pública

Instituto de Segurança Pública
Victor Chagas Matos
Erick Baptista Amaral de Lara

O Dossiê LGBT+ 2018, elaborado pelo Instituto de Segurança Pública (ISP-RJ), constitui a primeira publicação oficial do estado do Rio de Janeiro a reunir estatísticas de segurança pública sobre crimes motivados por LGBTfobia. O documento tem como objetivo dar visibilidade à violência contra a população LGBT+ e subsidiar a formulação e avaliação de políticas públicas de proteção. A publicação integra contribuições da Coordenadoria Especial de Diversidade Sexual (CEDS-Rio), da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), do Grupo Gay da Bahia (GGB), do Grupo Pela Vidda (GPV-RJ), do NUDIVERSIS, da SUPPLGBT/SEDHMI, da SEAP-RJ e da SES-RJ. Metodologicamente, baseia-se nos registros de ocorrência das delegacias do estado, com análise quantitativa de variáveis como tipos de violência, perfil das vítimas, local do fato e distribuição espacial. Os resultados indicam que, em 2017, foram registradas 431 vítimas de violência motivada por LGBTfobia no estado do Rio de Janeiro; mais da metade delas (55,0%) conhecia os autores da violência, e 43,4% dos crimes ocorreram em ambientes residenciais. O dossiê também discute a subnotificação dos casos, decorrente do medo de revitimização, da descrença nos mecanismos legais e da resistência de determinados segmentos, como travestis e transexuais, em procurar as delegacias. Além dos dados estatísticos, a publicação apresenta seções sobre trabalhos existentes na área, políticas estaduais voltadas à população LGBT+ e reflexões sobre a LGBTfobia estrutural. Conclui-se que o dossiê representa um avanço no reconhecimento oficial da violência LGBTfóbica, ainda que persista a ausência de legislação específica que criminalize a LGBTfobia e a necessidade de aperfeiçoamento dos mecanismos de notificação.

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2018

Infográfico

Segurança Pública

Instituto de Segurança Pública
Victor Chagas Matos
Erick Baptista Amaral de Lara

O Dossiê LGBT+ 2018, elaborado pelo Instituto de Segurança Pública (ISP-RJ), constitui a primeira publicação oficial do estado do Rio de Janeiro a reunir estatísticas de segurança pública sobre crimes motivados por LGBTfobia. O documento tem como objetivo dar visibilidade à violência contra a população LGBT+ e subsidiar a formulação e avaliação de políticas públicas de proteção. A publicação integra contribuições da Coordenadoria Especial de Diversidade Sexual (CEDS-Rio), da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), do Grupo Gay da Bahia (GGB), do Grupo Pela Vidda (GPV-RJ), do NUDIVERSIS, da SUPPLGBT/SEDHMI, da SEAP-RJ e da SES-RJ. Metodologicamente, baseia-se nos registros de ocorrência das delegacias do estado, com análise quantitativa de variáveis como tipos de violência, perfil das vítimas, local do fato e distribuição espacial. Os resultados indicam que, em 2017, foram registradas 431 vítimas de violência motivada por LGBTfobia no estado do Rio de Janeiro; mais da metade delas (55,0%) conhecia os autores da violência, e 43,4% dos crimes ocorreram em ambientes residenciais. O dossiê também discute a subnotificação dos casos, decorrente do medo de revitimização, da descrença nos mecanismos legais e da resistência de determinados segmentos, como travestis e transexuais, em procurar as delegacias. Além dos dados estatísticos, a publicação apresenta seções sobre trabalhos existentes na área, políticas estaduais voltadas à população LGBT+ e reflexões sobre a LGBTfobia estrutural. Conclui-se que o dossiê representa um avanço no reconhecimento oficial da violência LGBTfóbica, ainda que persista a ausência de legislação específica que criminalize a LGBTfobia e a necessidade de aperfeiçoamento dos mecanismos de notificação.

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2023

Relatório

Saúde  

Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) Umane
Instituto Veredas

Este relatório técnico, produzido no âmbito da Agenda Mais SUS, analisa a situação da saúde da população LGBTQIA+ no Brasil, com ênfase nas barreiras de acesso e nas violências institucionais que atravessam o cuidado público. O documento parte do reconhecimento de que, comparada à população heterossexual e cisgênera, a população LGBTQIA+ enfrenta um cenário de discriminação nos atendimentos de saúde, expresso em condutas inadequadas de profissionais, conotações preconceituosas, atendimentos não humanizados, ausência de acolhimento e negligência de ações, sobretudo na Atenção Primária à Saúde (APS). Metodologicamente, trata-se de uma revisão técnico-científica que sistematiza evidências de inquéritos populacionais, censos e revisões sistemáticas sobre o tema. Os resultados evidenciam que a maioria das pessoas LGBTQIA+ sente-se reprimida a procurar serviços de saúde por medo de violência, o que resulta no afastamento dessa população dos serviços. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde (2019) indicam que 2,9 milhões de pessoas adultas se declararam lésbicas, gays ou bissexuais, ainda que os números possam estar subnotificados devido ao estigma social. O Censo Trans revela que 74,1% das travestis e transexuais relataram ter sido maltratadas em serviços de saúde, e que 96,8% já utilizaram hormônios sem acompanhamento adequado, obtendo-os por meio de redes informais. No campo da saúde mental, a prevalência de depressão entre pessoas trans que não ajudam nas despesas do lar chega a 69,5%, e 55,19% declararam piora da saúde mental em 2021. O relatório também aponta que, embora a Política Nacional de Saúde Integral LGBT+ tenha sido publicada em 2011, o Ministério da Saúde não possui área técnica responsável por sua articulação, e a maioria das recomendações da 3ª Conferência Nacional LGBT (2016) não foi acatada. Conclui-se que a efetivação de políticas públicas de saúde para a população LGBTQIA+ exige a superação do estigma institucional, a ampliação da formação dos profissionais de saúde e a criação de espaços de cuidado que respeitem a diversidade sexual e de gênero.

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2023

E-book

Saúde

Ministério da Saúde
Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems)
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Este e-book, integrante do Programa Saúde com Agente, aborda a importância da abordagem familiar no território da Atenção Primária à Saúde (APS) para o trabalho de Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e Agentes de Combate às Endemias (ACE). O material parte da compreensão da família como uma instituição social plural e historicamente construída, que abrange tanto laços consanguíneos quanto vínculos afetivos, e cujo conceito foi ampliado pela Constituição Federal de 1988 e pelo Código Civil de 2002. São apresentados diversos arranjos familiares contemporâneos — matrimonial, informal, homoafetiva, monoparental, anaparental, reconstituída, unipessoal, paralela, eudemonista e poliafetiva —, reforçando que não existe um modelo único ou homogêneo de família. O texto também discute a especificidade dos povos e populações tradicionais (indígenas, quilombolas, ribeirinhos, entre outros), cujas formas de organização social, cultural e territorial demandam uma compreensão prévia antes da análise dos arranjos familiares. No campo da promoção da saúde, destaca-se que a família é um espaço privilegiado de cuidado e de reprodução de hábitos e valores que impactam diretamente a saúde de seus membros, sendo também um lócus de vulnerabilidades, como violência doméstica e sofrimento mental. Para subsidiar o trabalho no território, o material propõe estratégias como a entrevista familiar, a construção do Genograma e do Ecomapa, a análise dos estilos parentais e a identificação de redes de apoio. Conclui-se que a abordagem familiar ampliada, sensível à diversidade e ao contexto sociocultural, é fundamental para que os profissionais da APS possam planejar ações de cuidado mais efetivas, equânimes e alinhadas às reais demandas da população.

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2017

Artigo

Saúde  

Gianna Schreiber Popadiuk 
Daniel Canavese Oliveira 
Marcos Claudio Signorelli

Este estudo objetivou analisar como o Ministério da Saúde (MS) vem implementando o Processo Transexualizador (PrTr) no SUS, por meio da pesquisa de documentos oficiais de domínio público, sistematização de dados quantitativos e análise das memórias do Comitê Técnico
de Saúde LGBT (CTSLGBT) do MS. A pesquisa
exploratória combinou métodos quanti e qualitativos de estudo, tomando como base metodológica a proposta normativa de pesquisa de avaliação de programas e sistemas de saúde. O estudo resultou no cômputo total das cirurgias de redesignação sexual realizadas no SUS (2008-2016), que evidenciam nulidade de óbitos e desigualdades regionais de acesso; e no acompanhamento das ações de implementação da Política Nacional de Saúde Integral Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis
e Transexuais (PNSILGBT) por comitê específico
designado pelo MS. Mesmo com avanços consideráveis, os desafios persistem, sendo o mais ameaçador, atualmente, a possibilidade de retrocesso imposta por setores conservadores do executivo e legislativo. Portanto, a visibilidade das ações já conquistadas é um passo decisivo para manutenção e potencialização do PrTr no SUS.

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2017

Artigo

Saúde

Elizabeth Alves de Jesus Prado
Maria Fátima de Sousa

O presente artigo trata-se de uma revisão da literatura que buscou compreender o que tem sido produzido na literatura científica após a publicação da Política Nacional de Saúde Integral
LGBT, compreendendo o período de 2011 a 2016. A busca foi realizada na Biblioteca Virtual em
Saúde – BVS utilizando os filtros “Brasil”, “Artigo” e “Ano”. Após aplicar os critérios de inclusão
e excluídos os duplicados, foram selecionados sete artigos, dos quais emergiram dois temas de
análise macro: Desafios da atualidade: direitos da população LGBT e a luta por uma política sexual não discriminatória e o Papel do Estado na atenção à população LGBT. O protagonismo e o papel do movimento social LGBT na luta por garantia dos direitos dessa população é imperativo nas discussões. As discriminações e violências a que estes indivíduos são expostos diariamente, inclusive nas instituições de cuidado em saúde, revelam a necessidade de mudanças nas práticas do cuidado em saúde, que sejam voltados para um atendimento ético e isento de discriminações.
Por fim, aponta o protagonismo do Estado em assegurar os direitos da população LGBT e maneira não discriminatória ou reducionista, revelando uma política sexual que considere as diversas expressividades da sexualidade humana, não por homo ou hetero ou, por mulher ou homem, mas
sim, pelo ser humano que ali se expressa e tem como direito escolher ser o que quiser.

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2015

Artigo

Saúde  

Rodrigo Broilo
Jacques Akerman

A história das lutas por políticas públicas para a população LGBT teve início na década de 1980, com o advento da epidemia mundial de HIV/AIDS. Ao longo das décadas subsequentes as políticas públicas, em especial de saúde, foram tomando rumos que intencionavam
pensar na integralidade dos sujeitos LGBT. Porém, o que se percebe é que a maior parte dessas políticas está embasada na construção de identidades sexuais, marcadas pelos binarismos homem/mulher, masculino/feminino, heterossexual/homossexual, sendo os primeiros
termos ainda hegemônicos. A análise aqui proposta mostra como essas identidades acabam por criar novas segregações, promover a manutenção da heteronormatividade e a homofobia, em suas variantes.
Através de críticas pós-identitárias, originadas da teoria queer, este artigo convida para uma desconstrução crítica da visão dos indivíduos como seres acabados em termos de sexualidade, gênero, práticas sexuais e desejos.

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2011

Artigo

Saúde

Luiz Mello
Marcelo Perilo
Camilo Albuquerque de Braz
Cláudio Pedrosa

Neste artigo são analisadas as políticas públicas de saúde voltadas à população LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) no Brasil, a partir de entrevistas com gestoras governamentais e com integrantes da sociedade civil organizada, além da análise crítica de planos, programas e outros documentos de referência. Destacamos ações no âmbito do Poder Executivo Federal, concebidas e executadas por parcerias intragovernamentais e
com a sociedade civil, tendo LGBT como público-alvo. Identificamos, por fim, que tais ações, quando comparadas às de outras áreas, caracterizam-se como mais consolidadas, transversalizadas, intersetorializadas e pioneiras, embora ainda não plenamente estruturadas segundo os princípios de universalidade, integralidade e equidade.

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2013

Documento Oficial

Saúde  

Ministério da Saúde 

A Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (PNSILGBT), instituída pela Portaria nº 2.836, de 1º de dezembro de 2011, e pactuada pela Comissão Intergestores Tripartite, constitui um marco histórico na garantia do direito à saúde para a população LGBT no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). O presente documento, publicado em 2013 pelo Ministério da Saúde, tem como objetivo geral promover a saúde integral dessa população, eliminando a discriminação e o preconceito institucional, bem como contribuindo para a redução das desigualdades e a consolidação do SUS como sistema universal, integral e equitativo. A política fundamenta-se no reconhecimento de que a orientação sexual e a identidade de gênero são determinantes sociais da saúde, e que as diversas formas de homofobia — lesbofobia, gayfobia, bifobia, travestifobia e transfobia — incidem diretamente no processo de sofrimento e adoecimento desse grupo. O documento está estruturado em cinco capítulos que abordam o contexto histórico da luta pelo direito à saúde da população LGBT, a determinação social da saúde, os objetivos e diretrizes da política, e o Plano Operativo 2012-2015, organizado em quatro eixos estratégicos: acesso; ações de promoção e vigilância em saúde; educação permanente e educação popular em saúde; e monitoramento e avaliação. Entre as principais diretrizes, destacam-se a ampliação do acesso com atendimento humanizado e livre de discriminação, a eliminação das homofobias nos serviços de saúde, a implementação do Processo Transexualizador no SUS, a inclusão do nome social nos sistemas de informação, a garantia dos direitos sexuais e reprodutivos, e o fortalecimento da participação social da população LGBT nos Conselhos e Conferências de Saúde. Conclui-se que a PNSILGBT representa um divisor de águas nas políticas públicas de saúde no Brasil, legitimando as demandas específicas da população LGBT e reafirmando o compromisso do Estado com a equidade e a universalidade do acesso à saúde.

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2018

Artigo

Saúde

Gabriela Junqueira Calazans
Thiago Félix Pinheiro
José Ricardo de Carvalho Mesquita Ayres

O recrudescimento da epidemia de HIV entre gays e outros homens que fazem sexo
com homens (HSH) é revelador de limitações ou fracasso nas políticas de prevenção direcionadas a este grupo. Com base nas abordagens teóricas da vulnerabilidade e do Cuidado, analisamos o panorama das políticas de prevenção do HIV/aids voltados a gays e outros HSH, recorrendo a documentos nacionais que fundamentam políticas de prevenção do HIV/
aids e a documentos produzidos por organizações não governamentais e pelas Conferências Nacionais LGBT. Identificamos, nos documentos analisados, três leituras acerca das políticas de prevenção: a) epidemiológica; b) da responsabilidade preventiva; c) baseada nos direitos humanos e na vulnerabilidade. A disputa, a negação e a hegemonia de cada uma dessas perspectivas nos diferentes momentos permitem compreender parte dos desafios e das barreiras enfrentados na prevenção do HIV e da aids entre gays e outros HSH. A análise efetivada mostra mudanças na intensidade e na qualidade do diálogo socioestatal. A frágil formalização e a abrangência restrita dos documentos destacam-se como limitações na efetuação de uma abordagem de prevenção efetivamente fundamentada na vulnerabilidade e nos direitos humanos, bem como na incorporação da perspectiva do Cuidado público. Reiteramos a importância do diálogo qualificado com os sujeitos implicados nas políticas para audição de suas necessidades, de seus anseios e críticas.

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2023

Relatório

Saúde  

Instituto Brasileiro de Transmasculinidades – IBRAT

Este relatório apresenta os resultados do primeiro mapeamento sobre saúde da população transmasculina no Brasil, realizado pelo Instituto Brasileiro de Transmasculinidades (IBRAT). O estudo parte da constatação da crítica subnotificação de dados sobre vidas trans no país, especialmente no que tange ao acesso à saúde, e da necessidade de produzir informações que subsidiem políticas públicas voltadas a essa população. O objetivo central foi traçar as demandas, dificuldades e interseccionalidades das transmasculinidades no campo da saúde, desde o perfil socioeconômico até as particularidades de especialidades médicas. Metodologicamente, adotou-se um formulário digital com 31 questões (fechadas e abertas) sobre perfil socioeconômico e experiências de saúde, disponível entre 30/05/2023 e 30/06/2023, divulgado em redes sociais e grupos de pessoas transmasculinas. Foram obtidas 551 respostas, analisadas por estatística descritiva, complementadas por revisão bibliográfica. A pesquisa também incluiu uma reflexão teórica sobre a despatologização das identidades trans, discutindo como os saberes biomédicos e psiquiátricos historicamente patologizaram a transexualidade e impuseram narrativas cisnormativas que ainda hoje impactam o acesso à saúde. Entre os resultados, destacam-se os obstáculos no acesso a serviços especializados, a burocratização dos processos de retificação de nome e gênero, e as violências transfóbicas nos espaços de saúde. Conclui-se que o mapeamento, produzido por ativistas-pesquisadores transmasculines, constitui uma ferramenta de visibilidade e reivindicação de políticas públicas que respeitem a diversidade das transmasculinidades, reafirmando que “nós sobre nós” é uma estratégia de existência e resistência.

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2018

Tese

Saúde

Gabriela Junqueira Calazans

Esta tese analisa as políticas de prevenção do HIV voltadas para homens que fazem sexo com homens (HSH) no Brasil, sob a ótica da vulnerabilidade, do Cuidado e do reconhecimento. O objetivo é compreender como processos de (não)reconhecimento ou desrespeito no cuidado público de saúde contribuem para a vulnerabilização desse grupo. Trata-se de um estudo qualitativo e interdisciplinar de análise de políticas públicas, que utilizou entrevistas semiestruturadas com gestores e ativistas, análise documental, observação etnográfica e revisão de dados secundários. A pesquisa reconstruiu a história das respostas à epidemia, identificando paradoxos, como a visibilidade obtida a partir dos “grupos de risco” e a despolitização decorrente da institucionalização das organizações. A análise revelou que as práticas de gestão e as abordagens preventivas, marcadas por manifestações de desrespeito, impactam diretamente a capacidade de resposta das políticas às necessidades dos sujeitos, aprofundando sua vulnerabilidade.

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2022

Infográfico

Politícas Públicas 

Paula Frias
Vanessa Campagnac

O texto aborda a insuficiência de protocolos isolados para evitar situações constrangedoras contra a população LGBTQIA+, destacando a necessidade de treinamento e capacitação de profissionais públicos para o atendimento adequado e o preenchimento correto de registros administrativos. Para populações estigmatizadas, as políticas de educação e capacitação são fundamentais para gerar dados qualificados, estabelecendo uma dinâmica de retroalimentação entre dados e políticas públicas. A ausência de instâncias de participação (conselhos, conferências e grupos de trabalho) voltadas à temática LGBTQIA+ é apontada como obstáculo para pautar essas políticas, uma vez que tais instâncias têm alto potencial para orientar os instrumentos de planejamento das diferentes esferas de governo. O texto explica que os instrumentos de planejamento definem eixos, objetivos, metas, ações e indicadores de monitoramento, orientando a execução orçamentária e indicando as prioridades de cada governo. Por fim, questiona como inserir essas políticas no debate institucional.

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2023

Artigo

Politícas Públicas 

Mariana Dionísio de Andrade
Pedro Luan Abreu dos Santos Mota

A presente pesquisa busca responder aos seguintes problemas de pesquisa: quais são as políticas públicas voltadas à proteção de vítimas de transfobia já implementadas no Estado do Ceará? O registro oficial de morte violenta contra pessoas trans no Ceará é compatível com os dados apresentados pela Antra? O objetivo é demonstrar a visibilidade da violência contra a população trans como questão essencial para o exercício dos direitos humanos. O Ceará se destaca como um dos Estados com maior número de assassinatos contra pessoas transgêneros no Brasil, ao passo em que políticas públicas para esse grupo são questionadas pela sua efetividade ou existência. Trata-se de um estudo de caso, na medida em que utiliza o assassinato de Keron Ravach como elemento condutor. A pesquisa é quali-quantitativa, de natureza pura e descritiva, com suporte em revisão de literatura e utilização complementar de dados secundários disponibilizados pelos relatórios da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra). Conclui-se que dentre as políticas públicas voltadas à proteção de vítimas de transfobia já implementadas no Ceará estão: (I) Oportuniza-Trans; (II) Retifica-Trans e; (III) Assistência Social é de TODXS. Conclui-se que a ausência de dados oficiais é um empecilho para a formulação e avaliação de impacto de políticas públicas existentes e que a falta de metodologia de identificação uniforme para crimes de transfobia prejudica a administração do problema.

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2018

Tese

Politícas Públicas 

Matheus Mazzilli Pereira

Durante os três primeiros mandatos presidenciais do PT (2003-2014), o movimento LGBT e o movimento cristão pró-vida e pró-família confrontaram-se politicamente em torno das demandas LGBT ao Governo Federal. A partir do primeiro governo Dilma Rousseff (2011-2014), os resultados desse confronto passaram a favorecer o movimento cristão conservador, contrariando expectativas de estudos sobre oportunidades políticas, já que o mesmo partido permaneceu no Executivo e ativistas LGBT continuaram atuando em ministérios e secretarias. A tese busca explicar essas variações. Metodologicamente, foram realizadas entrevistas com ativistas dos dois movimentos, burocratas ativistas LGBT e assessores ligados à FPE e à FPLGBT, além do uso de dados do Portal da Transparência e de fontes oficiais para mapear iniciativas e recursos federais, e de dados da Câmara e do Senado para identificar mudanças na presença da FPE em coalizões de governo, em espaços estratégicos e no uso de requerimentos e projetos de decreto legislativo. A análise identifica mecanismos de oportunidade e ameaça no gerenciamento de coalizões governamentais. Os resultados indicam que a FPE se consolidou como jogador relevante nesse processo, pressionando o Executivo e fazendo com que este interviesse na burocracia para obstaculizar ativistas LGBT. Assim, apesar da penetração institucional, burocratas ativistas LGBT não conseguiram manter a produção de resultados positivos. A contribuição principal é que explicar variações nos resultados políticos de confrontos no Brasil exige compreender como o gerenciamento de coalizões governamentais afeta oportunidades e ameaças à ação dos movimentos sociais.

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2025

Publicação

Politícas Públicas 

Beatriz Elena Barud Silva
Éder Rodrigo Gimenes

O movimento LGBTI+ no Brasil evoluiu por meio de ações de rua e iniciativas institucionais, incluindo a realização de Paradas do Orgulho e das Conferências Nacionais, que promoveram visibilidade, reivindicações e diálogo com o Estado. Destaca-se a importância dessas estratégias na construção de direitos e cidadania para as pessoas LGBTI+. Outro marco fundamental foi a criação do Conselho Nacional de Combate à Discriminação com a competência LGBT em 2010 e, posteriormente, do Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+ em 2023, conquistas da institucionalização do movimento por promoverem, no âmbito institucional, um debate inclusivo e com diversidade de demandas. A partir de metodologia qualitativa de análise documental em legislações e documentos institucionais, bem como de revisão bibliográfica, o trabalho objetivou compreender as estratégias de mobilização que contribuíram para o reconhecimento político e a ampliação da cidadania LGBTI+. As Paradas do Orgulho, as Conferências Nacionais e os Conselhos Nacionais, além de permitirem o controle social e a formulação de políticas públicas, simbolizam momentos de inserção da diversidade na agenda pública. A análise demonstrou os ciclos de avanço, resistência e reconstrução que marcaram a trajetória do movimento, reafirmando a importância dos espaços, sua capacidade de mobilização e articulação em defesa de direitos, reconhecimento e equidade. Conclui-se que tais espaços são fundamentais e capazes de fortalecer a agenda de direitos e consolidar a esfera pública como espaço de representação política da diversidade.

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2024

Artigo

Politícas Públicas 

Matheus Mazzilli Pereira

Nas últimas décadas, observa-se uma intensa circulação de políticas para LGBTI+ no Brasil. Uma vez que tais políticas foram marcadas pela fraca capacidade de indução do Governo Federal, como explicar sua circulação entre níveis e unidades da federação? Para responder essa pergunta, o artigo analisa a trajetória de circulação dos centros de referência LGBTI+ e do “tripé da cidadania” em cinco unidades de observação a partir de dados de entrevistas e de análise documental.
Os resultados indicam que o “ativismo multinível” foi fundamental para a circulação dessas políticas por meio: da construção de redes informais de interação que integram níveis; da formação de organizações multinível; da atuação em arenas que reúnem atores oriundos de múltiplos níveis; e do deslocamento e múltiplo
pertencimento de atores entre níveis. O artigo defende, assim, a fertilidade de um “olhar multinível” para as relações entre movimentos sociais e políticas públicas.

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2022

Artigo

Politícas Públicas 

Matheus Mazzilli Pereira

O artigo busca propor princípios e dimensões para a análisedas relações entre movimentos sociais e partidos políticos. O exame desse fenômeno evidencia como trajetórias de interação e intersecção entre esses atores se sedimentam em encaixes partidários e eleitorais e são mobilizados por ativistas para influenciar políticas públicas. A proposta é aplicada ao estudo das interações entre o movimento LGBT+ e o PT.

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2018

Tese

Politícas Públicas 

Silvia Aguião

O livro analisa como a população LGBT se constituiu como sujeito de direitos no Brasil contemporâneo, partindo da questão: como uma população marginalizada e desviante tornou-se objeto de políticas públicas e sujeito de direitos? A pesquisa etnográfica acompanhou duas conferências nacionais LGBT (2008 e 2011), observou eventos variados e analisou documentos públicos, além da inserção da pesquisadora no processo de implantação do Programa Rio Sem Homofobia e dos Centros de Referência de Promoção da Cidadania LGBT no Rio de Janeiro.

A autora adota a perspectiva de que o Estado não é uma entidade dada, mas se presentifica por meio de práticas, enunciações e disputas entre agências governamentais, movimentos sociais e academia, que se entrecruzam na imaginação de uma “coletividade LGBT”. Os resultados evidenciam a fluidez do Estado e os processos de estatização da população LGBT, nos quais identidades, direitos e formas de ação governamental se entrelaçam, revelando também os desafios éticos e políticos da posição militante/pesquisadora. A obra contribui para uma antropologia do Estado, ao mostrar como a formação de sujeitos de direitos é também um processo de formação de subjetividades, afetos e redes.

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2018

Artigo

Politícas Públicas 

Luan Carpes Barros Cassal

Quem paga o preço com o desmonte do Programa Rio Sem Homofobia (RSH) pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro? O que possibilita anunciar uma política como sucedida ou fracassada? Quais as condições necessárias para execução de serviços públicos para a população LGBTI? Tal qual a genealogia trabalhada por Michel Foucault, o presente texto recupera registros relativos a alguns momentos do Programa Rio Sem Homofobia para compreensão de lutas, movimentos e processos históricos em operação.
Não se trata de uma busca exaustiva e conclusiva de informações, e nem mesmo uma
tentativa de desvelar um passado supostamente verdadeiro e definitivo. Não obstante, acreditamos que este texto pode colaborar para a compreensão do tempo presente e não responder, mas, ao menos, tentar extrair implicações das perguntas formuladas. O texto está dividido em seis itens, organizado a partir da noção de constelação de Walter Benjamin, a agrupar diferentes ideias por semelhanças provisórias. Primeiro, a apresentação de marcadores metodológicos. Segundo, o funcionamento do RSH na última gestão do Governo do Estado do Rio de Janeiro. Terceiro, a análise de processos relacionados à concepção, inauguração e implementação do Programa. Quarto, a discussão referente a serviços anteriores ao RSH, executados por movimentos sociais, com financiamento público. Quinto, a crítica às narrativas de sucesso, numa tentativa de possibilitar miradas diferentes sobre o presente. Por fim, o apontamento para experiências e responsabilidades que ainda (nos) restam.

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2025

Artigo

Politícas Públicas 

Euzeneia Carlos
Matheus Mazzilli Pereira
Cristiano Rodrigues

O artigo analisa comparativamente o desmonte das políticas públicas para mulheres, de igualdade racial e para LGBTQIA+ durante o governo Bolsonaro (2019–2022), no âmbito do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. Com base na literatura sobre policy dismantling e em multimétodos — análise documental e entrevistas com gestores e conselheiros —, examina mudanças na estrutura burocrática, nos programas governamentais e na execução orçamentária dos três setores. Os resultados indicam que o desmonte foi intencional, processual e progressivo: intencional por consistir em decisão deliberada alinhada a uma agenda de extrema direita; processual por iniciar-se em governos anteriores, com estratégias de baixa visibilidade; e progressivo por combinar, no governo Bolsonaro, estratégias de baixa e alta visibilidade, afetando a densidade e a intensidade formal e substancial das políticas.

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2026

Artigo

Politícas Públicas 

Beatriz Elena Barud Silva
Éder Rodrigo Gimenes

Partindo do escopo de balanços e perspectivas de reconstrução da participação institucional,
o presente artigo dedicou-se a mapear e analisar ações da Secretaria Nacional dos Direitos
das Pessoas LGBTQIA+ (SNLGBTQIA+), órgão criado em 2023 durante a transição de
governo. A criação da Secretaria representa um compromisso do Estado brasileiro com a
promoção da diversidade e a ampliação da presença de pessoas LGBTQIA+ na burocracia
estatal. Para realizar esse mapeamento, o estudo adotou duas perspectivas complementares.
Primeiro, identificaram-se ações da Secretaria respaldadas por documentos legais, como
decretos e legislações específicas. Em segundo lugar, analisou-se a transversalidade das
iniciativas, ou seja, verificou-se quais ações foram desenvolvidas em parceria com outras
secretarias ou ministérios, evidenciando a articulação intersetorial nas políticas públicas
voltadas à população LGBTQIA+. Ambas as abordagens foram consideradas fundamentais
para compreender o contexto de reconstrução institucional. Estudos longitudinais prévios
demonstram que muitas pautas relacionadas aos direitos e garantias LGBTQIA+ são frequentemente cooptadas por discursos moralistas e conservadores. Nesse cenário, embora a reconstrução institucional seja percebida de forma abrangente, as ações da SNLGBTQIA+ destacam-se pelo esforço de reposicionamento identitário e de presença LGBTQIA+ em espaços de tomada de decisão.

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2021

Publicação

Politícas Públicas 

Barbara Gomes Pires
Arnaldo Cezar Laurentino
Cláudio Nascimento

A Pesquisa atual, como uma etapa dentro do Projeto Observatório, teve como meta o levantamento de informações e dados sobre as políticas públicas LGBTI+ ao longo de todos os municípios do Estado do Rio de Janeiro, com seus órgãos e secretarias vinculantes. Para isso, teve uma atuação no sentido de coletar, sistematizar e analisar como as políticas públicas para a população LGBTI+ são pensadas, implementadas e vivenciadas dentro do poder público estadual e dos seus municípios. Assim
como os usuários, ativistas e/ou representantes da população LGBTI+ também observam, vivenciam e se afetam pela presença ou pela ausência de direitos e de políticas públicas no território fluminense.

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2016

Artigo

Politícas Públicas 

Guilherme Efraim Vergili

A partir de meados da década de 1990, a formulação de políticas públicas para o segmento LGBT ganhou destaque no Brasil ao adotar um viés de promoção de direitos humanos (Carmona, Prado, 2009; Carrara, 2010). Mas foi no final da década seguinte, com a realização de Conferências e a fixação de um “tripé da cidadania” (composto por um conselho, órgão do poder executivo e um plano de políticas) no Governo Federal, que a institucionalização dessas políticas se fortaleceu pelos demais entes federativos. Assim, o município de São Carlos se caracteriza como sendo uma das primeiras cidades do interior paulista a adotar políticas públicas direcionadas a LGBTs, por meio da atuação conjunta de atores governamentais e um grupo organizado do movimento social intitulado ONG Visibilidade LGBT. Pretende-se analisar a formulação da política de diversidade sexual, proposta e desenvolvida pela Prefeitura Municipal de São Carlos, entre os anos de 2008 e 2012, por meio da investigação sobre o processo de entrada desse tema na agenda governamental. Isso será feito por meio da validação do modelo de Multiple Streams, desenvolvido por John Kingdon (1995 [2003]), que analisa, de forma qualitativa, o processo de formação da agenda e as ações propostas pela administração pública, trazendo luzes sobre a respeito da questão da diversidade sexual desenvolver-se como política governamental no âmbito municipal.

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2021

Artigo

Politícas Públicas 

Brenda Motta Costa
Maria Lúcia Chaves Lima

Este trabalho apresenta uma revisão exploratória da literatura sobre publicações científicas (entre os anos 2000 e 2020) a fim de identificar como as políticas públicas voltadas à população LGBT no Brasil estão sendo discutidas. O levantamento realizado aponta que tal discussão ainda se apresenta de forma emergente no campo de administração pública. Foi possível identificar no corpus da pesquisa dois eixos de abordagem sobre os quais os textos podem ser tipificados: aqueles com discussão centrada em etapas do ciclo de políticas públicas e outros com debate apoiado na perspectiva queer. Os principais pontos apresentados como entraves às políticas públicas LGBT no Brasil foram: a falta de leis que resguardem os direitos dessa população; falhas na interlocução entre Estado e sociedade civil; falta de previsão orçamentária para os planos e programas; e falta de representação política no meio LGBT.

Além do já exposto, foi observada convergência entre os artigos ao se referirem sobre a presença e avanço do conservadorismo, especificamente aquele protagonizado por segmentos religiosos, caracterizando-o como habitual empecilho na efetivação dos direitos LGBT.Este artigo objetiva apresentar as principais políticas públicas brasileiras voltadas à população LGBT,
analisando seus avanços e limitações, assim como apresentar um mapeamento dos serviços públicos do município de Belém como exemplo da incipiente rede de atenção a essa população. A análise dos programas e equipamentos municipais e nacionais de garantia de direitos das pessoas LGBT pode indicar que, embora o avanço de tais políticas seja visível, sua quantidade ainda é irrisória diante da demanda existente. A vulnerabilidade da população LGBT exige estratégias de atenção preventiva e remediativa que garantam um atendimento adequado no que tange aos direitos à saúde, segurança, moradia etc. Todavia, o cenário político atual parece caminhar no sentido oposto à garantia dos direitos daqueles que não correspondem à heteronormatividade, o que ameaça a continuidade das poucas políticas existentes voltadas às pessoas LGBT, assim como a criação de novas políticas públicas.

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2022

Dossiê

Politícas Públicas 

Cláudio Nascimento Silva
Rogerio Barros Sganzerla
Paula Ivo Rajão
Luan de Oliveira Silva
Dione Xavier de Assis
Bruna Crossetti

O presente relatório de pesquisa tem como objetivo mapear e analisar a institucionalização das políticas públicas voltadas à população LGBTI+ nos Poderes Executivos das 27 Unidades da Federação do Brasil. Diante da escassez de dados oficiais integrados, o estudo adota como referencial teórico o Tripé da Cidadania LGBTI+, composto por órgãos gestores, conselhos estaduais e planos ou programas de governo com previsão orçamentária no Plano Plurianual (PPA) e na Lei Orçamentária Anual (LOA). A metodologia possui caráter descritivo-analítico e utiliza triangulação de dados obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI), questionários estruturados aplicados a gestores e ativistas, e análise documental de normativas e cadernos orçamentários. Foi desenvolvido um sistema de indicadores quantitativos (com escala de 1 a 5) para mensurar dimensões de estabilidade jurídica, transparência, governança matricial e execução setorial. Os resultados apontam profunda disparidade regional e fragilidade orçamentária na manutenção das políticas, revelando alta dependência de decretos executivos em detrimento de leis orçamentárias permanentes. Conclui-se que o fortalecimento da cidadania LGBTI+ nos estados requer a consolidação legislativa do Tripé da Cidadania, ampliação dos mecanismos de controle social e vinculação orçamentária efetiva.

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2021

Artigo

Politícas Públicas 

Carlos Augusto Alves de Sousa Júnior 
Diego Costa Mendes

Este trabalho apresenta uma revisão exploratória da literatura sobre publicações científicas (entre os anos 2000 e 2020) a fim de identificar como as políticas públicas voltadas à população LGBT no Brasil estão sendo discutidas. O levantamento realizado aponta que tal discussão ainda se apresenta de forma emergente no campo de administração pública. Foi possível identificar no corpus da pesquisa dois eixos de abordagem sobre os quais os textos podem ser tipificados: aqueles com discussão centrada em etapas do ciclo de políticas públicas e outros com debate apoiado na perspectiva queer. Os principais pontos apresentados como entraves às políticas públicas LGBT no Brasil foram: a falta de leis que resguardem os direitos dessa população; falhas na interlocução entre Estado e sociedade civil; falta de previsão orçamentária para os planos e programas; e falta de representação política no meio LGBT.

Além do já exposto, foi observada convergência entre os artigos ao se referirem sobre a presença e avanço do conservadorismo, especificamente aquele protagonizado por segmentos religiosos, caracterizando-o como habitual empecilho na efetivação dos direitos LGBT.

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2021

Artigo

Politícas Públicas 

Carla Isadora Barbosa Cantoi
Diego Bruno da Silva Bentes

Nesse artigo são analisadas as políticas públicas existentes voltadas para a população LGBT. Teve como objetivo apresentar uma breve revisão de literatura sobre as políticas públicas direcionadas para a população LGBT de 2011 a 2020.

A pesquisa teve caráter qualitativo, de base exploratória, focado no estado da questão, com levantamento bibliográfico em duas bases de dados, com os descritores “LGBT” e “políticas públicas”. Os resultados identificaram doze produtos, que foram agrupados em quatro categorias: 1) políticas públicas e cidadania, 2) políticas públicas e saúde, 3) políticas públicas e segurança e 4) políticas públicas e educação. As discussões apontaram para a relevância do fomento às políticas públicas para população LGBT, bem como dificuldades no processo de legitimação e execução destas, objetivando o fomento ao protagonismo para o enfrentamento das desigualdades.

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2021

Relatório

Administração Penitenciária

Claudio Nascimento Silva, Rogerio Sganzerla

O “Painel da Violência LGBTI+” se propôs a compreender as respostas dos serviços públicos, privados e do terceiro setor pertencentes ao sistema de proteção dos direitos humanos, de segurança pública e de justiça no processo de enfrentamento à violência e discriminação em razão de orientação sexual e identidade de gênero no estado do Rio de Janeiro. A grande inovação está em analisar as diversas etapas do processo penal, desde a denúncia até a execução, e sistematizar dados sobre uma violência invisibilizada e bastante presente na nossa sociedade.

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2021

Relatório

Administração Penitenciária

Claudio Nascimento Silva, Rogerio Sganzerla

O “Painel da Violência LGBTI+” se propôs a compreender as respostas dos serviços públicos, privados e do terceiro setor pertencentes ao sistema de proteção dos direitos humanos, de segurança pública e de justiça no processo de enfrentamento à violência e discriminação em razão de orientação sexual e identidade de gênero no estado do Rio de Janeiro. A grande inovação está em analisar as diversas etapas do processo penal, desde a denúncia até a execução, e sistematizar dados sobre uma violência invisibilizada e bastante presente na nossa sociedade.

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2022

O Programa Atena surge de uma necessidade de se construir um panorama da situação estadual quanto a implementação de políticas públicas para a promoção da cidadania LGBTI+ nas 27 unidades da federação e suas capitais. Até a elaboração do Programa Atena (Fase 1), o qual teve como objetivo o mapeamento das políticas públicas nos governos estaduais, não existia, a nível nacional, qualquer estudo que se propusesse a quantificar e qualificar o desenvolvimento dessas ações realizadas pelos estados

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Associações: GloboNews, PontaNegraNews, CnnBrasil

2021

O Observatório de Políticas Públicas teve como objetivo geral fazer um levantamento de dados junto dos municípios e das secretarias estaduais sobre as políticas públicas para a população LGBTI+, mapeando suas implementações e desenvolvimentos, além de qualquer tipo de ação ou de promoção da cidadania LGBTI+, com a finalidade de aglutinar informações e documentos de fontes institucionais a fim de coletar e difundir essas normativas para controle e advocacy da população LGBTI+ no Estado do Rio de Janeiro.

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2023

Muito se tem falado sobre gênero e sexualidade. O tema aparece em propagandas de marcas famosas, em pautas políticas, no âmbito da cultura e do entretenimento, nos discursos religiosos, etc. No entanto, o que realmente as pessoas sabem sobre gênero e sexualidade? Com que discursos elas entram em contato e formam seu imaginário sobre esses aspectos da vida humana?

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2023

Este Manual destina-se ao uso por profissionais de educação no Ensino Fundamental – Anos Finais (6º ao 9º ano) e no Ensino Médio. Foi concebido para contribuir com a diminuição do estigma, bullying, preconceito, discriminação, violência e evasão escolar que estudantes LGBTI+ nessa faixa etária geralmente podem sofrer no meio educacional. Entre outras possibilidades, o Manual oferece uma oportunidade para  reflexão. Na prática, o que eu posso fazer para promover o respeito à diversidade sexual, sem exigir dos outros? O que nós podemos fazer?

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